Ghislaine Maxwell condenada por aliciar adolescentes para serem abusadas por Epstein

Em causa a exploração sexual de raparigas de 14 anos nos anos de 1990 e início de 2000.

A 'socialite' britânica Ghislaine Maxwell foi condenada esta quarta-feira, nos Estados Unidos, por aliciar raparigas adolescentes para serem abusadas sexualmente pelo milionário norte-americano Jeffrey Epstein, avançou a Associated Press.

O veredito agora conhecido encerra um julgamento de um mês, com relatos sórdidos sobre a exploração sexual de raparigas com 14 anos, feitos por quatro mulheres que descreveram terem sido abusadas enquanto adolescentes, nos anos 1990 e início de 2000 nas casas de Jeffrey Epstein nos estados da Flórida, Nova Iorque e Novo México.

Os jurados estiveram reunidos cinco dias inteiros até declararem Ghislaine Maxwell culpada de cinco das seis acusações que lhe eram feitas.

A antiga colaboradora e ex-companheira de Jeffrey Epstein enfrenta uma pena de vários anos de prisão, algo há muito desejado por mulheres que passaram anos a lutar em tribunais civis para responsabilizar Ghislaine Maxwell pelo papel que teve no recrutamento e preparação das vítimas adolescentes de Jeffrey Epstein, e por vezes até participando dos abusos sexuais.

A defesa insistiu que Ghislaine Maxwell foi uma vítima de uma acusação vingativa, planeada para fazer justiça pelas mulheres, privadas de poderem ver Jeffrey Epstein julgado, por este se ter suicidado em 2019.

Durante o julgamento, a acusação chamou 24 testemunhas, para dar aos elementos do júri uma imagem da vida nas casas de Jeffrey Epstein -- tema de fascínio público e especulação desde que o multimilionário tinha sido detido, em 2006 na Florida, num caso de abuso sexual de crianças.

Uma governanta testemunhou que se esperava que fosse "cega, surda e muda" sobre a vida privada de Epstein, que cultivava amizades com políticos influentes e empresários de renome, e de Ghislaine Maxwell.

Pilotos contaram que figuras públicas como o príncipe André de Ingraterra e os antigos presidentes norte-americanos Donald Trump e Bill Clinton voaram nos jatos privados de Epstein.

Os jurados viram provas físicas, como uma mesa de massagens dobrável usada por Epstein e um 'livro negro' que tinha informações de contacto de algumas vítimas sob o título 'massagens', mas também registos bancários de transferências de 30,7 milhões de dólares (cerca de 27 milhões de euros) para Ghislaine Maxwell.

Mas o cerne da acusação foi o testemunho de quatro mulheres: uma atriz de televisão, uma antiga modelo britânica, uma mãe em recuperação do vício de drogas e uma psicóloga.

Os relatos das quatro mulheres sobre o comportamento de Ghislaine Maxwell eram coincidentes: a 'socialite' usava charme e presentes para ganhar a sua confiança, mostrando interesse nos desafios da adolescência que enfrentavam e garantindo-lhes que Epstein usaria a sua fortuna e conhecimentos para as ajudar a realizarem os seus sonhos.

As quatro contaram que as coisas mudavam quando Ghislaine Maxwell as persuadia a fazerem massagens a Epstein, que acabavam por se tornar sexuais.

Uma das mulheres testemunhou que era uma de várias adolescentes com dificuldades económicas que viviam perto da casa de Epstein na Florida no início dos anos 2000, e que aceitou fazer massagens em troca de notas de cem dólares, algo que a acusação descreveu como "uma pirâmide de abuso".

De acordo com a mesma mulher, foi Ghislaine Maxwell quem tratou de tudo, mesmo sabendo que ela na altura tinha apenas 14 anos.

Ghislaine Maxwell, de 60 anos, negou veementemente todas as acusações, através dos seus advogados. Ainda assim, recusou-se a testemunhar.

As disputas legais que envolvem a 'socialite' e Jeffrey Espstein ainda não terminaram. Ghislaine Maxwell ainda aguarda julgamento por duas acusações de perjúrio.

Os processos que envolvem alegações de abusos sexuais também vão continuar, incluindo um no qual uma mulher diz ter sido coagida a ter encontros sexuais com o príncipe André de Inglaterra quando tinha 17 anos. O príncipe negou as acusações.

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