Gangues usam alojamentos Airbnb como esconderijos de droga na Bélgica
Os alojamentos de curta duração do estilo Airbnb estão a ser utilizados como esconderijos por gangues criminosos para armazenas dinheiro, droga, armas e pessoas, garantem as autoridades belgas.
O sector do comércio eletrónico em expansão está a ajudar “enormemente” a facilitar o crime organizado, disse a comissária nacional de droga da Bélgica, Ine Van Wymersch.
As autoridades não têm dados sobre a real dimensão do problema, mas asseguram que os criminosos estão a aproveitar a flexibilidade oferecida pelas plataformas de reservas de curta duração.
“É preciso alguém para ir buscar uma carga ao porto. Não se sabe exatamente quando o navio vai chegar. Bem, pode alugar-se um apartamento ou estúdio através do Airbnb durante três dias. É muito flexível. Se o navio não vier para Antuérpia, mas sim para Marselha, o cancelamento é gratuito", explicou Ine Van Wymersch ao The Guardian.
Van Wymersch acredita que o "facto de o comércio eletrónico ser um negócio em expansão está a facilitar enormemente o crime organizado", dando o exemplo da facilidade de criar contas de e-mail anónimas, comunicações encriptadas e criptomoedas, referindo ainda que as empresas de entregas também correm "grande risco" de serem instrumentalizadas pelo crime organizado, porque "já não é uma situação suspeita quando se vê uma carrinha branca a parar em casa do vizinho e... uma pequena caixa a ser entregue".
No início deste mês, a polícia apreendeu 3,3 kg de cocaína e 4845 euros num apartamento alugado no centro de Bruxelas que se acredita ter sido utilizado para armazenar e embalar drogas, informou a agência de notícias belga.
Em 2024, quando onze pessoas foram condenadas por envolvimento a uma vasta operação de tráfico de droga entre a Bélgica e o Reino Unido, foi revelado que droga no valor de 21 milhões de euros foi apreendida num imóvel alugado através do Airbnb em Staden, na região de Flandres Ocidental.
No ano passado, um juiz de instrução anónimo alertou que a Bélgica corria o risco de se tornar um narcoestado, numa crítica mordaz à resposta do governo a uma onda de violência relacionada com o tráfico de droga.
Um representante da Airbnb na Bélgica disse ao De Staandard que estas reservas criminosas representam uma minoria extrema entre as milhões que a empresa processa anualmente e explicou que a empresa adota várias medidas para identificar reservas suspeitas, incluindo a utilização de inteligência artificial.

