Ao fim de quatro dias de procissão por cinco cidades, dois países e 2600 quilómetros, os restos mortais de Ali Khamenei foram, por fim, a enterrar. O bombardeamento que matou o guia supremo, assim como quatro familiares, e terá deixado o seu filho e sucessor em estado grave, marcou o início da guerra que opôs EUA e Israel ao Irão. Mais de quatro meses volvidos, as cerimónias fúnebres ficaram marcadas pela mensagem de que há que vingar a sua morte, isto quando há um reacender das hostilidades entre Washington e Teerão. .EUA atingiram durante a noite 90 alvos militares iranianos. Ataques dos últimos dois dias fizeram 14 mortos, diz Teerão.Quando Khamenei foi morto, a decapitação da teocracia xiita levou a que muitos falassem, inclusive Donald Trump e Benjamin Netanyahu, na mudança de regime. Mas este provou ser muito mais resistente e complexo do que as análises externas previam — o memorando de entendimento com os EUA é disso prova, com Teerão a não recuar em nada de substancial e a poder ser premiado com o alívio de sanções e devolução de ativos, por exemplo. E o funeral do antigo líder era uma prova de vida do regime. Para o chefe do comité organizador das exéquias, Ali-Akbar Purdjamschidian, o evento de seis dias tinha como objetivo “reforçar a coesão e a unidade nacional”. Pelo menos a imagem que transpareceu foi essa, ao arrastar milhões — segundo o regime — para as ruas de Teerão, Qom, Najaf e Kerbala (no Iraque) e, por fim, em Mashhad, terra natal de Khamenei. Aqui, a cerimónia final atrasou-se porque a procissão não conseguia avançar pela multitude, tendo o caixão sido transportado de helicóptero para o santuário do imã Reza. Os órgãos de comunicação iranianos apresentaram Khamenei como uma figura revolucionária e santa e quem participou nas procissões como “enlutados que transformaram as ruas num mar de vermelho” ao agitarem bandeiras escarlates em “forma de apelo para vingar o sangue dos mártires”. Em janeiro, as multidões gritavam “morte ao ditador” — e não há notícia de que o guia supremo se tenha oposto ao massacre que matou milhares de manifestantes.“O tema unificador da República Islâmica é que a guerra de mudança de regime promovida pelos Estados Unidos e Israel falhou”, disse Nader Hashemi, professor de Ciência Política na Universidade de Georgetown, ao Center for International Policy. Ainda que, mais importante do que a participação popular nas exéquias, tenha sido a ausência do sucessor, o filho Mojtaba Khamenei. Segundo a CNN, os Guardas da Revolução aconselharam-no a não comparecer, avivando a especulação sobre o seu estado de saúde — ou até sobre se está vivo..Vermelho de vingança e ausência do sucessor nas exéquias de Khamenei.Três filhos de Ali Khamenei no funeral, mas não o sucessor