França anuncia contrato milionário de venda de aviões de combate aos Emirados

Ministério francês disse que o acordo é o maior contrato de exportação de armas da história francesa. Decisão já gerou algumas críticas.

A França anunciou esta sexta-feira (3 de novembro) a assinatura de um contrato de armamento no valor de 16 mil milhões de euros para a venda aos Emirados Árabes Unidos de 80 aviões de combate Rafale.

O Ministério da Defesa francês disse que o acordo é o maior contrato de exportação de armas da história da França e acontece quando o Presidente Emmanuel Macron está nos Emirados, na primeira paragem de uma visita de dois dias ao Golfo Pérsico.

O fabricante Dassault Aviation disse que os Emirados Árabes Unidos compraram a versão F4 atualizada da sua aeronave de combate multifuncional, que tornará a Força Aérea daquele país o primeiro utilizador do Rafale F4 fora de França.

Este negócio acaba por compensar a indústria de Defesa de França do colapso de um contrato de venda de submarinos convencionais à Austrália, após este país ter negociado a compra de submarinos de propulsão nuclear aos Estados Unidos, no âmbito de uma aliança militar que também envolve o Reino Unido.

No entanto, o contrato dos Rafale já foi criticado internamente pelo candidato presidencial ambientalista, Yannick Jadot.

"A França envergonha quando arma regimes autoritários que desprezam os direitos humanos e cuja riqueza é construída a partir de combustíveis fósseis", escreveu Jadot, que foi líder da Greenpeace em França, na sua conta na rede social Twitter.

O interesse de Macron em estabelecer relacionamentos pessoais com líderes como Mohamed bin Zayed Al Nahyan, o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, e o seu homólogo na Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, faz dele um convidado apreciado na região.

Aqueles dois líderes do Golfo valorizam um certo grau de pragmatismo ao discutir democracia e direitos humanos - questões sobre as quais os seus países têm sido fortemente criticados por grupos de direitos humanos e deputados europeus - enquanto procuram oportunidades de negócios.

A França tem laços profundos com os Emirados Árabes Unidos - uma federação de sete reinos na Península Arábica - principalmente desde os ataques de 11 de setembro de 2001.

Meses depois de Macron ter sido eleito Presidente, em 2017, viajou para os Emirados para inaugurar o Louvre Abu Dhabi, que compartilha o nome e a arte do mundialmente famoso museu de Paris.

Em setembro, Macron recebeu o príncipe herdeiro de Abu Dhabi no castelo de Fontainebleau, nos arredores de Paris, que foi restaurado em 2019 com uma doação dos Emirados Árabes Unidos de 10 milhões de euros.

Nesta visita, o gabinete de Macron informou que o Presidente quer discutir a situação política no Golfo, em particular as negociações nucleares com o Irão e as ambições deste país na região, especialmente no Iraque, Síria e Líbano.

A França, juntamente com a Alemanha e o Reino Unido, acredita que o acordo nuclear de 2015 - com pequenos ajustes - é o caminho a seguir com o Irão, enquanto os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita se opõem a qualquer entendimento com Teerão.

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