Uma vitória agridoce do Partido Popular (PP), que continua dependente de um reforçado Vox e uma dura derrota para os socialistas. Foi esse o cenário após as eleições de domingo (8 de fevereiro) em Aragão, tal como tinha sido na Extremadura em dezembro, tal como arrisca ser em Castela e Leão - a próxima comunidade autónoma a ir às urnas, já a 15 de março. Em junho será a vez da Andaluzia.“As pessoas já não o suportam e pergunto-me quantas derrotas eleitorais ele precisa de sofrer para compreender isso”, disse esta segunda-feira (9 de fevereiro) o líder da oposição espanhola, Alberto Núñez Feijóo, sobre o primeiro-ministro Pedro Sánchez.A vitória do PP foi amarga, já que o partido de Feijóo perdeu dois deputados regionais (tinha conquistado 28 em 2023 e ficou com 26). O presidente do governo de Aragão, Jorge Azcón, tinha antecipado as eleições depois de não conseguir aprovar o orçamento para 2026, com o objetivo de reduzir a dependência do Vox. Mas o partido liderado por Santiago Abascal acabou por duplicar a sua representação no Parlamento aragonês, subindo de 7 para 14 eleitos..Espanha. PP ganha em Aragão, mas volta a ficar dependente do Vox para governar.O PP volta a depender da extrema-direita para governar, com Feijóo a avisar que os espanhóis “vão castigar” o Vox se o partido se transformar num “muro” e pedindo para que “não bloqueie” o entendimento - na Extremadura, ainda não há acordo entre os dois partidos para governar.“Se o PP quiser mudar as suas políticas, pode contar connosco. Mas se o PP pretende continuar com as políticas que nos obrigaram a abandonar os governos regionais, então tem o PSOE para isso”, indicou Abascal na noite eleitoral.Após as eleições de 2023, o Vox aliou-se ao PP em Aragão (tal como na Extremadura), mas o partido de extrema-direita rompeu o acordo em 2024, depois de a formação de Feijóo aceitar a política de redistribuição de menores migrantes.Em Aragão, os socialistas tentam cavalgar o desaire do PP, conscientes da sua própria derrota nas urnas - perderam cinco deputados, caindo de 23 para 18 e igualando o pior resultado de sempre nesta região. “O PP é o vencedor aritmético, mas o perdedor político”, insistiu ontem a porta-voz da Comissão Executiva do PSOE, lembrando que os socialistas tinham oferecido o seu voto a Azcón para aprovar o orçamento e que este rejeitou e optou por ir a votos.“Cada vez que convocam eleições o PP perde lugares e quem os ganha é o Vox”, insistiu Montse Mínguez, dizendo que, agora, o PSOE não facilitará a investidura de Azcón.Entre os socialistas, só a candidata Pilar Alegría (ex-ministra de Sánchez) admitiu que não foi um bom resultado, mas está preparada para ser oposição. “Perante este futuro incerto que se descortina em Aragão, o PSOE continua a ser a alternativa progressista”, indicou. A nível nacional, os socialistas evitaram fazer qualquer autocrítica, convencidos de que o resultado será diferente quando for a hora de Sánchez se voltar a apresentar nas urnas. Isto apesar de a maioria das sondagens apontar também para uma vitória do PP, o PSOE em queda e o Vox a duplicar deputados. As eleições só estão previstas para 2027, mas há analistas que dizem que podem ser antecipadas.A esquerda, como um todo, também enfrenta um cenário complicado, tendo a aliança Esquerda Unida-Sumar mantido apenas um representante em Aragão e o Podemos perdido o único deputado regional que tinha. O Sumar, parceiro de governo de Sánchez, voltou a dizer que “os fogos de artifício” não travam o Vox, avisando que o PSOE não tem “uma resposta concreta ou correta” para travar o partido de Abascal e defendendo medidas para melhorar as condições de vida dos espanhóis.Já o porta-voz da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) no Congresso espanhol, Gabriel Rufián, deixou o alerta no X. “Quem não vê que algo tem de ser feito ou não vê as coisas da forma correta ou já está satisfeito com a situação”, indicou, defendendo “algo diferente” para derrotar PP e Vox e avisando que “o que está para vir não será impedido por rótulos partidários, será impedido pelo povo”. O seu próprio partido já deixou contudo claro que não haverá alianças pré-eleitorais. Mas Rufián questiona: “De que serve chegar ao Congresso com mais dois, três ou quatro deputados se o ministro do Interior vai ser Abascal?”.PP deve ficar preso a um Vox reforçado e PSOE arrisca novo desaire em Aragão