As famílias de nove vítimas israelitas dos ataques do Hamas no mês passado apresentaram uma queixa ao Tribunal Penal Internacional (TPI) por suspeita de crimes de guerra, disse esta sexta-feira o advogado que as defende..As famílias também querem que o Hamas seja processado por genocídio e que o TPI emita um mandado de prisão internacional para os seus líderes, disse o advogado François Zimeray em comunicado..A 7 de outubro, o Hamas levou a cabo ataques sangrentos que, segundo as autoridades israelitas, mataram mais de 1400 pessoas.."A denúncia diz respeito às vítimas, que eram todas civis", disse Zimeray, acrescentando que várias delas estavam no festival de música "Tribe of Nova".."A queixa afirma que os terroristas do Hamas não negam os crimes cometidos, que documentaram e difundiram amplamente, e que os... factos não podem, portanto, ser contestados", frisou..Numa entrevista à francesa Rádio Classique, Zimeray disse que sempre foi cauteloso com as "qualificações excessivas" dos acontecimentos. Mas o advogado e a sua equipa jurídica estabeleceram que a acusação de "genocídio" "é sustentada perante a lei"..Qualquer indivíduo ou grupo pode levar um caso ao TPI, que está localizado em Haia, nos Paíxes Baixos, mas cabe ao procurador do tribunal iniciar uma investigação..Contactado pela AFP, o tribunal não foi capaz de responder imediatamente se recebeu a documentação..O TPI, fundado em 2002, investiga e processa crimes graves em todo o mundo..Em 2021, abriu uma investigação sobre Israel, bem como sobre o Hamas e outros grupos armados palestinianos, por possíveis crimes de guerra nos territórios palestinianos. O seu procurador, Karim Khan, disse que quaisquer suspeitas de crimes de guerra no conflito em curso seriam da competência do TPI. As equipas do TPI não conseguiram, no entanto, entrar em Gaza ou em Israel, que não é membro do TPI.