O ex-presidente argentino Alberto Fernández, cuja ex-companheira, Fabiola Yáñez, o denunciou por diversos episódios de agressão, afirmou não ter "sido o autor de nenhum destes fatos" de que é acusado.."Estou a ser acusado de algo que não fiz. Não bati em Fabiola. Nunca bati em mulheres", afirmou Fernández numa entrevista publicada nesta terça-feira pelo jornal espanhol El País. "Não estou aqui para alimentar toda a sujeira midiática que está a ser criada. Recebi-o para lhe dizer sob seus olhos que não fui o autor de nenhum desses fatos", insistiu o ex-presidente peronista, que governou a Argentina entre 2019 e 2023.."O que vou fazer é esperar, ir à Justiça e deixar a Justiça resolver", acrescentou o político de 65 anos na entrevista, dizendo que as discussões eram frequentes, que pode ter havido violência verbal, mútua, mas não física..Fabiola Yáñez, ex-jornalista e apresentadora, 43 anos, vive atualmente em Madrid com o filho de dois anos, fruto de seu relacionamento de mais de uma década com o ex-presidente..No dia 6 de agosto, denunciou Fernández por violência física e psicológica, e um juiz argentino ordenou o reforço da sua proteção em Espanha e proibiu o ex-presidente de sair da Argentina..O caso abalou o país, principalmente desde a publicação pelo portal de notícias Infobae de imagens de Yáñez com marcas no braço e no rosto e conversas que comprometem o ex-presidente..No sábado, numa entrevista ao Infobae, Fabiola Yáñez assegurou temer pela sua segurança e disse ser vítima de assédio por parte do ex-presidente. "Tenho que me resguardar, tenho medo", afirmou.."Durante dois meses ele ameaçou-me dia sim dia não, dizendo que se eu fizesse isso, se fizesse aquilo, ele se suicidaria", disse, naquela que foi a primeira entrevista desde que apresentou a denúncia contra Fernández por violência de género, após surgirem as fotografias em que aparece com marcas de golpes e hematomas num braço e na cara.."Hoje eu não pude sair de casa, puseram inibidores para que não pudesse sair de casa. Inibidores que faziam com que o carro desligasse", relatou, pedindo uma investigação. "A Justiça precisa de investigar porque eu não sei porque é que isso aconteceu", afirmou.."Eu cuidei desse homem muitas vezes. Aqueles vídeos que apareceram no outro dia não são nada comparados ao que ele fez", disse Yáñez sobre um vídeo que veio a público no qual supostamente se ouve a voz de Fernández, mas cuja imagem não aparece, fazendo piadas com uma jovem jornalista de entretenimento que bebe e ri no gabinete presidencial..Yáñez também garantiu que sofreu "assédio telefónico e terrorismo psicológico" por parte do ex-presidente e que não recebeu ajuda, embora "muitas pessoas" soubessem da suposta situação de violência envolvendo o casal quando ambos conviviam na residência presidencial em Buenos Aires..Após esta entrevista, o ex-presidente negou todas as acusações. "A verdade dos fatos é outra", frisou ele através das redes sociais..A Justiça fez buscas na casa de Fernández em Buenos Aires e apreendeu o telemóvel. Também impôs medidas restritivas como proibir a sua saída do país, segundo fontes judiciais citadas na imprensa argentina..O caso provocou repercussão em todo o espectro político argentino, especialmente na oposição peronista, o movimento no qual milita o ex-mandatário..Tanto o atual presidente, Javier Milei, rival político, quanto a peronista e ex-chefe de Estado Cristina Kirchner, ex-aliada, repudiaram Fernández pelos supostos atos que lhe foram atribuídos.