EUA reagem com "surpresa" a saída da Rússia da Estação Espacial Internacional em 2024

Porta-voz do Departamento de Estado norte-americano classifica decisão como "lamentável".

Os Estados Unidos da América reagiram esta terça-feira com "surpresa" à retirada russa da Estação Espacial Internacional (EEI) a partir de 2024, dizendo que é "lamentável".

"É um desenvolvimento infeliz, dado o trabalho científico essencial realizado na EEI, a valiosa colaboração profissional que as nossas agências espaciais têm mantido ao longo dos anos e, particularmente à luz do nosso renovado acordo de cooperação em voos espaciais", disse o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ned Price, em conferência de imprensa citada pela agência France-Presse (AFP).

"Pelo que sei, o anúncio público [da Rússia] apanhou-nos de surpresa", acrescentou.

Numa conferência em Washington, a diretora da EEI na sede da NASA, Robyn Gatens, disse que a agência espacial norte-americana ainda não tinha recebido "nenhuma declaração oficial" sobre o abandono russo.

Os Estados Unidos querem prolongar a estação até 2030, mas o novo chefe da agência espacial russa Roscosmos anunciou esta terça-feira que a Rússia deixaria de participar no programa "depois de 2024".

Na mesma conferência em Washington, e quando questionada se os Estados Unidos queriam ver os russos retirarem-se da EEI, Robyn Gatens respondeu: "Não, de todo. Têm sido bons parceiros, assim como todos os nossos parceiros, e queremos continuar juntos, como uma parceria, para operar a estação espacial ao longo da década".

A Rússia e os Estados Unidos da América anunciaram em 15 de julho que iriam retomar os voos conjuntos para a EEI, com dois astronautas norte-americanos a viajarem numa russa Soyuz, em duas missões separadas, enquanto dois cosmonautas russos fariam uma viagem pela SpaceX.

A EEI é resultado de uma colaboração internacional e a NASA tem dito repetidamente que não pode funcionar sem as contribuições dos vários parceiros.

As tensões entre os Estados Unidos e a Rússia têm estado no seu auge desde o início da ofensiva de Moscovo contra a Ucrânia em fevereiro, mas até agora os dois países continuaram a colaborar no espaço. Astronautas americanos e cosmonautas russos estão permanentemente na EEI.

Moscovo tinha advertido, em meados de março, que as sanções ocidentais contra a Rússia devido à guerra contra a Ucrânia podiam afetar o funcionamento das naves russas que abastecem a EEI, e por isso o segmento russo da estação, responsável pela correção da órbita da estrutura.

"O segmento russo garante que a órbita da estação seja corrigida, em média, 11 vezes por ano, incluindo para evitar os detritos espaciais", explicou na altura o anterior chefe da Roscosmos, informando que a agência russa tinha enviado apelos aos parceiros norte-americanos (NASA), canadianos (ASC) e europeus (ESA) para "exigir o levantamento das sanções ilegais contra as empresas" russas.

Em 01 de março, a agência espacial norte-americana NASA indicou estar a trabalhar em soluções para manter a EEI em órbita sem a ajuda da Rússia.

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