EUA atacam navio que tentava furar bloqueio a portos iranianos
Um helicóptero militar norte-americano disparou esta terça-feira, 11 de agosto, contra um navio de bandeira panamiana, quando tentava furar o bloqueio naval imposto ao Irão, segundo fonte das autoridades de Washington citada pelo The Wall Street Journal.
A mesma fonte relatou que o helicóptero alvejou o leme do navio depois de a tripulação ter ignorado os avisos de que estava a violar o bloqueio naval reatado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, em meados de julho, após o colapso do cessar-fogo acordado no mês anterior com o Irão
O The Wall Street Journal referiu que, horas antes, a empresa de segurança marítima Vanguard informou que um navio porta-contentores panamiano chamado "Vela Nova" tinha sido atingido por um míssil, quando navegava no golfo de Omã na direção oeste, a cerca de 71 milhas náuticas (131 quilómetros) da costa do Paquistão.
Até ao momento, nem o Departamento de Defesa dos Estados Unidos nem o Comando Central das forças norte-americanas se pronunciaram sobre este caso.
Numa informação preliminar, a Vanguard especificou que "o míssil atingiu a embarcação, provocando um incêndio que foi posteriormente extinto”, e confirmou que todos os 17 tripulantes do "Vela Nova" estavam a salvo.
A agência britânica de monitorização marítima UKMTO alertou, por sua vez, para um incidente no golfo de Omã envolvendo "um navio cargueiro e forças militares" de um país não especificado.
A agência informou ainda que um navio cargueiro foi atacado esta terça-feira com um projétil no mar Vermelho, junto à costa de Omã, com várias vítimas.
Este novo ataque ocorre numa altura em que Washington intensifica a pressão para tentar paralisar a economia iraniana, depois de a via do diálogo não ter produzido resultados para encerrar o conflito lançado em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica.
Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz, colocado sob ameaça militar iraniana desde o início do conflito, e o levantamento do bloqueio naval entretanto imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.
As partes voltaram no entanto à confrontação e aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo num período de dois meses.
A reabertura de Ormuz, por onde passavam 20% dos bens petrolíferos mundiais antes da guerra, é uma das condições exigidas por Trump para cessar as hostilidades, enquanto enfrenta pressão interna devido ao aumento dos preços dos combustíveis a menos de três meses das eleições intercalares nos Estados Unidos.
Teerão exige por seu lado que os Estados Unidos suspendam todos os seus ataques contra a República Islâmica e aliados, incluindo no Iémen e no Iraque, bem como o bloqueio aos portos iranianos.
Além disso, reclama também compensações integrais pelos danos causados pelas hostilidades e o levantamento de sanções contra a economia iraniana, a par do descongelamento de ativos no estrangeiro.
No domingo, Donald Trump sugeriu que não precisava nem de uma grande ofensiva militar nem de um esforço diplomático especial, afirmando que bastava observar as dificuldades económicas do Irão.
No dia seguinte, exigiu também compensações por décadas de ataques de Teerão no estrangeiro e contra manifestantes em solo iraniano.

