Donald Trump afirmou que planeia reduzir a presença militar dos EUA na Alemanha em "muito mais" do que os 5.000 soldados anunciados. "Vamos reduzir bastante. E vamos reduzir muito mais do que 5.000", disse Trump a repórteres no sábado, ao embarcar no Air Force One na Flórida, sem detalhes adicionais.Trump tem demonstrado crescente frustração com as nações europeias, acusando-as de ignorar os seus pedidos de ajuda na guerra dos EUA contra o Irão e para a reabertura do Estreito de Ormuz. Mas o recente anúncio de retirada de um importante contingente militar presente na Alemanha gerou preocupação generalizada, não só entre países da NATO como entre alguns dos próprios elementos do Partido Republicano, escreve a Bloomberg. O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, afirmou no sábado que a aliança transatlântica da NATO corre o risco de se desintegrar e pediu a todos os membros que revertam "essa tendência desastrosa".Nos EUA, Roger Wicker, senador republicano do Mississippi e presidente do Comité de Serviços Armados do Senado, e Mike Rogers, republicano do Alabama e presidente do Comité de Serviços Armados da Câmara, expressaram preocupação com a retirada de milhares de soldados, numa uma declaração conjunta no sábado.“Em vez de retirar as forças do continente por completo, é do interesse dos EUA manter uma forte dissuasão na Europa, deslocando esses 5.000 soldados americanos para o leste”, acrescentaram, dizendo esperar mais detalhes do Pentágono nos próximos dias e semanas..O enviado especial Steve Witkoff confirmou este domingo que existe um diálogo em curso com o Irão. Witkoff esteve reunido com o presidente dos EUA no clube de golfe Doral, por ocasião do torneio PGA Cadillac Championship. Ao abandonar o camarote de observação de Trump durante o torneio foi questionado pela CNN sobre o ponto de situação das discussões mas foi breve, limitando-se a afirmar: "Estamos em conversações".Esta movimentação diplomática surge na sequência de declarações do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, que confirmou que Washington já respondeu à sua mais recente proposta e que o documento está sob análise em Teerão.Witkoff tem desempenhado um papel central como negociador em nome dos Estados Unidos.Numa publicação partilhada este sábado nas redes sociais, Trump demonstrou ceticismo quanto ao desfecho do acordo, afirmando que "não consegue imaginar" que a proposta iraniana seja aceitável. O Presidente justificou a sua posição defendendo que o Irão "ainda não pagou um preço suficientemente alto pelo que fez à Humanidade".Apesar da retórica dura de Trump, a presença constante de Witkoff e a confirmação de que existe uma resposta oficial dos EUA indicam que a via diplomática continua ativa..O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmaeil Baghaei, confirmou que os Estados Unidos já responderam à proposta apresentada por Teerão. De acordo com o diplomata, a resposta de Washington está agora a ser submetida a uma análise detalhada pelas autoridades iranianas.Numa intervenção em direto na televisão estatal, Baghaei procurou clarificar o âmbito da iniciativa diplomática, sublinhando que a "proposta de 14 pontos" apresentada pelo Irão é estritamente direcionada para o cessar-fogo. "O dossiê nuclear não está incluído na proposta e o que tem sido avançado por alguns meios de comunicação é pura imaginação", afirmou o porta-voz, desmentindo rumores de que as negociações pudessem abranger o programa atómico do país.Embora não tenha detalhado os pontos específicos do documento, Baghaei reiterou que o foco central é "pôr fim à guerra". A Casa Branca ainda não emitiu qualquer comentário oficial sobre o teor da resposta enviada a Teerão. .A Arábia Saudita, a Rússia e outros cinco países da OPEP+ aumentaram hoje, como previsto, os limites de produção de petróleo, demonstrando a continuidade do grupo após o abalo provocado pela saída dos Emirados Árabes Unidos.Em conjunto, Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã aumentaram “em 188.000 barris por dia” os limites de produção para o mês de junho, segundo o comunicado publicado no ‘site’ da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).Já a Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADNOC) comprometeu-se a investir 55 mil milhões de dólares em novos projetos ao longo dos próximos dois anos.“A ADNOC confirmou hoje que está a acelerar o crescimento e a implementação da sua estratégia, com 200 mil milhões de dirhams (46 mil milhões de euros) em novos contratos de projetos para o período 2026-2028”, indica um comunicado da empresa.Os Emirados Árabes Unidos anunciaram, na terça-feira, a saída a partir de 01 de maio da OPEP liderada por Riade e da aliança OPEP+, que também inclui a Rússia.A OPEP era até agora composta por 12 países membros, focados na coordenação da produção e preços. Com a saída dos Emirados Árabes Unidos, os membros são: Arábia Saudita, Irão, Iraque, Kuwait, Venezuela, Argélia, Gabão, Guiné Equatorial, Líbia, Nigéria e República do Congo.Especialistas ouvidos pela AFP sublinham que a declaração dos países que integram a OPEP+, sem qualquer referência aos Emirados Árabes Unidos, reflete as tensões nas relações com Abu Dhabi após a saída da aliança.“Ao manter a mesma trajetória de produção – simplesmente sem os Emirados Árabes Unidos –, o grupo age como se nada tivesse acontecido, minimizando deliberadamente as fraturas internas e exibindo uma imagem de estabilidade”, considerou Jorge Leon, da Rystad Energy, uma consultora do setor da energia.Segundo os analistas, o aumento agora anunciado dificilmente se traduzirá em produção adicional, uma vez que as principais capacidades não utilizadas da OPEP+ se encontram nos países do Golfo, cujas exportações estão bloqueadas pelo encerramento do Estreito de Ormuz, no contexto da guerra entre o Irão e os Estados Unidos da América.Entre os países da OPEP+ sujeitos a quotas, a produção caiu para 27,68 milhões de barris por dia em março, abaixo das quotas, que ascendiam a 36,73 milhões de barris por dia.O impacto distribui-se sobretudo entre a Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, cuja produção deixará de ser contabilizada no total da aliança (o Irão é membro da OPEP+, mas não está sujeito a quotas).A Rússia – segundo maior produtor do grupo – é quem mais beneficia da situação, com preços da energia muito elevados, apesar das dificuldades de produção ao nível das quotas atuais desde o início da guerra na Ucrânia. .A Guarda Revolucionária do Irão desafiou este domingo os Estados Unidos a escolherem entre uma operação militar "impossível" ou um "mau acordo" no conflito no Médio Oriente."A margem de manobra dos Estados Unidos na tomada de decisões diminuiu" e o Presidente norte-americano, "tem de escolher entre uma operação militar impossível ou um mau acordo com a República Islâmica", afirmou o serviço de informações da Guarda Revolucionária Islâmica num comunicado divulgado pela televisão estatal.O serviço de informações iraniano citou, entre outras coisas, um "ultimato" iraniano em relação ao bloqueio norte-americano aos portos do país e uma "mudança de tom" da China, Rússia e Europa em relação a Washington.“Os Estados Unidos são os únicos piratas do mundo com porta-aviões. A nossa capacidade de enfrentar piratas não é menor do que a nossa capacidade de afundar navios de guerra. Preparem-se para ver os vossos porta-aviões e as vossas forças acabarem no cemitério de navios", ameaçou Mohsen Rezaei, antigo comandante-chefe da Guarda Revolucionária, nomeado em março como conselheiro militar do novo líder supremo Mojtaba Khamenei, na rede social X.A situação entre os dois países mantém-se num impasse desde que um cessar-fogo entrou em vigor em 08 de abril, após quase 40 dias de ataques aéreos israelitas e norte-americanos contra o Irão e de ataques de retaliação de Teerão na região do Médio Oriente. Os esforços diplomáticos não conseguiram relançar as negociações diretas, após o encontro infrutífero realizado em Islamabade em 11 de abril, uma vez que as divergências continuam a ser significativas, desde o estreito de Ormuz até à questão nuclear iraniana.O Presidente dos EUA declarou no sábado, na rede social Truth Social, que "vai estudar em breve um plano que o Irão" havia acabado de apresentar, mas mostrou-se muito cético sobre o assunto..O Irão condenou as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que descreveu a forma como é feita a apreensão de navios iranianos pelos Estados Unidos como semelhante a "pirataria".“O presidente dos EUA chamou abertamente a apreensão ilegal de navios iranianos de 'pirataria', vangloriando-se descaradamente de que 'agimos como piratas'”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Bagaei, na rede social X.O diplomata denunciou as declarações de Trump como uma "admissão direta e contundente da natureza criminosa" das ações dos EUA contra a navegação marítima internacional, aludindo ao bloqueio naval de portos e navios iranianos, reporta a agência EFE..O Irão apresentou aos Estados Unidos uma proposta de 14 pontos destinada a pôr termo de forma permanente ao conflito, segundo avançaram meios de comunicação iranianos. O plano, divulgado pela agência Tasnim, foi transmitido a Washington através do Paquistão, que atua como mediador.De acordo com a Tasnim, citada pela agência espanhola EFE, a proposta iraniana, que surgiu como resposta a um plano norte-americano de nove pontos, estabelece um prazo de 30 dias para resolver todas as questões relacionadas com a guerra, dando prioridade ao “fim definitivo” do conflito em vez do prolongamento do atual cessar-fogo.Fim da guerra e bloqueio navalEntre os pontos centrais está o encerramento formal das hostilidades. Teerão rejeita a hipótese de estender a trégua em vigor e defende uma solução global e permanente.Outro eixo fundamental é o levantamento do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos a portos e embarcações iranianas. A proposta inclui ainda a criação de um novo modelo de gestão do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo a nível mundial.Garantias de não agressão e retirada de forças militaresO Irão exige garantias verificáveis de não agressão por parte dos Estados Unidos e de Israel, embora os meios iranianos não especifiquem o formato dessas garantias. O plano contempla também a retirada das forças militares norte-americanas destacadas na região, uma exigência recorrente de Teerão.Sanções e compensaçõesO levantamento das sanções económicas impostas por Washington constitui outra das condições-chave. O Irão pede igualmente o desbloqueio de ativos financeiros congelados no estrangeiro.Além disso, a proposta prevê o pagamento de indemnizações pelos danos causados durante o conflito, que, segundo dados iranianos, provocou milhares de vítimas e destruição de infraestruturas.Programa nuclear fora da propostaSegundo a agência Tasnim, o plano não inclui referências ao programa nuclear iraniano, que poderá ser tratado numa fase posterior das negociações..Trump admite retomar ataques ao Irão caso Teerão "se comporte mal" .O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (2) que Washington poderá voltar a lançar ataques contra o Irão caso Teerão “se comporte mal”, numa altura em que decorrem contactos indiretos sobre um possível acordo.Falando aos jornalistas em West Palm Beach, na Florida, Trump indicou que já foi informado sobre “o conceito” da última proposta iraniana para negociações, mas não entrou em detalhes. “Disseram-me qual é o conceito do acordo proposto. Vão agora informar-me sobre o texto exato”, declarou, citado pela agência Reuters.Apesar disso, mostrou ceticismo quanto à viabilidade da proposta. Questionado sobre a possibilidade de retomar ataques militares, Trump não afastou o cenário: “Não quero dizer isso. Não posso dizer isso a um repórter. Se se comportarem mal, se fizerem algo errado… veremos. Mas é uma possibilidade.” .Relembre os desenvolvimentos de sábado sobre o conflito no Médio Oriente.Administração Trump acelera venda de armamento para o Médio Oriente. São 8 mil milhões de dólares