Enviados norte-americanos vão a Islamabad, mas Irão diz que não haverá negociações diretas

O enviado especial do presidente dos EUA, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, deverão partir na manhã de sábado para conversações com o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano.
Soldados paquistaneses asseguram a segurança em Islamabad, onde Irão e Estados Unidos vão negociar
Soldados paquistaneses asseguram a segurança em Islamabad, onde Irão e Estados Unidos vão negociarEPA/SOHAIL SHAHZAD

Quase 240 detidos por tentarem preparar ação militar dos EUA e Israel

As autoridades iranianas detiveram 239 pessoas acusadas de preparar o terreno para uma ação militar dos Estados Unidos e de Israel no âmbito da guerra contra o país, anunciou hoje a Guarda Revolucionária.

As detenções ocorrerem nas províncias de Kermanshah (oeste) e Curdistão (noroeste), precisou a guarda ideológica do regime iraniano num comunicado divulgado pela agência Mehr.

Os detidos integravam “várias equipas afiliadas a grupos antirrevolucionários apoiados pelos Estados Unidos e pelo regime sionista”, afirmou a Guarda Revolucionária.

As equipas em causa “procuravam preparar o terreno para um ataque militar a partir do oeste do país”, referiu, segundo a agência de notícias espanhola EFE

“Foram identificadas e desarticuladas”, assegurou a mesma força.

Na província do Curdistão, foram detidas 84 pessoas, entre as quais membros de grupos separatistas curdos e opositores ao regime, em operações distintas que resultaram numa morte.

Nestas rusgas, foram apreendidas armas pesadas, incluindo lança-foguetes RPG, munições e explosivos.

Na província de Kermanshah, a Guarda Revolucionária deteve 155 pessoas que, segundo indicou, pertenciam a grupos opositores, incluindo quatro supostos espiões alegadamente ligados ao serviço de inteligência israelita Mossad.

De acordo com as autoridades, sete dos detidos estariam implicados no fabrico de bombas artesanais e na aquisição de armas ilegais para atacar instalações governamentais e militares.

Lusa

Aeroporto de Teerão retoma hoje voos internacionais

O aeroporto de Teerão retomará hoje os voos internacionais para diversos destinos, incluindo Turquia e China, como parte do acordo de cessar-fogo alcançado no início de abril, após mais de um mês de ofensiva dos EUA e Israel.

Segundo informações da emissora estatal iraniana IRIB, o aeroporto reiniciará as rotas para Istambul, Mascate (capital de Omã) e Pequim hoje. "Os voos de carga operarão normalmente", acrescentou a reportagem.

O Aeroporto Internacional Imam Khomeini, em Teerão, é um dos dois principais aeroportos da capital iraniana.

A autoridade de aviação civil iraniana já tinha avançado na segunda-feira que tanto este aeroporto como o segundo maior de Teerão, o Mehrabad, iam retomar as operações, mas sem adiantar a data estimada.

O tráfego aéreo de passageiros no Irão foi interrompido no início da ofensiva israelo-americana, em 28 de fevereiro, como medida de segurança imediata.

Lusa

TotalEnergies teme escassez de combustível na Europa se bloqueio continuar

Patrick Pouyanné, CEO da petrolífera francesa TotalEnergies, alerta que, se o bloqueio no estreito de Ormuz continuar por "mais dois ou três meses", a Europa sofrerá problemas de abastecimento semelhantes aos que já existem em alguns países asiáticos.

Em declarações transmitidas hoje pelo canal BFMTV, Pouyanné enfatiza: "Já absorvemos todo o excedente (das reservas). Se a situação continuar por mais dois ou três meses, entraremos numa era de escassez de energia como a que já foi vivenciada por alguns países asiáticos."

Estas declarações, um excerto do seu discurso numa conferência organizada desde sexta-feira em Chantilly pelo Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI), insistem que, embora essa escassez ainda não se materialize, não se pode "permitir que 20% das reservas de petróleo e gás fiquem inacessíveis sem graves consequências".

O responsável fazia referência ao encerramento quase total do estreito de Ormuz pelo Irão em resposta à guerra desencadeada pelos Estados Unidos e Israel, que, segundo o CEO da TotalEnergies, é a questão que tem de ser resolvida, e "rapidamente".

Para Pouyanné, dado que o petróleo do Golfo Pérsico, que é "muito barato", é indispensável, alternativas ao estreito de Ormuz têm ser encontradas para transportá-lo aos mercados consumidores.

"O facto de não haver saídas suficientes para o estreito de Ormuz é um grande problema", afirma, antes de defender a construção de "novos oleodutos" para contornar este bloqueio.

Lusa

Enviados norte-americanos vão a Islamabad, mas Irão diz que não haverá negociações diretas

Os enviados dos Estados Unidos deverão partir este sábado para Islamabad, capital do Paquistão, mas o Irão diz que os seus representantes não planeiam reunir-se com os norte-americanos para discutir o fim da guerra.

O enviado especial do presidente dos EUA, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, deverão partir na manhã de sábado para conversações com o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, informou a Casa Branca.

O secretário da Defesa, Pete Hegseth, disse aos jornalistas que o Irão tem a hipótese de fazer um "bom acordo" com os Estados Unidos.

"O Irão sabe que ainda tem uma janela aberta para escolher sabiamente. Tudo o que precisam de fazer é abandonar as armas nucleares de formas significativas e verificáveis", afirmou.

Já Araqchi chegou esta sexta-feira a Islamabad, mas um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão publicou na rede social X que as autoridades iranianas não planeavam reunir-se com representantes dos EUA e que as preocupações de Teerão seriam transmitidas ao mediador Paquistão.

Israel mantém ataques contra Hezbollah apesar da nova trégua

Israel atacou posições do grupo xiita Hezbollah no sul do Líbano durante a noite, anunciou hoje o exército israelita, apesar da nova trégua de três semanas anunciada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O anúncio da trégua por Washington foi uma condição imperativa das autoridades iranianas para prolongar o cessar-fogo na guerra do Irão e permitir negociações, que deverão recomeçar hoje no Paquistão.

As forças de Israel atacaram posições de lançamento de foguetes do Hezbollah em Deir Zahran, Kafr Raman e Al Saamiya, disse o estado-maior israelita num comunicado citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).

As zonas atacadas situam-se a norte da linha amarela que marca as posições avançadas de Israel após a invasão do sul do Líbano.

Ainda não há registo de vítimas nestes novos ataques de Israel.

A agência oficial de notícias libanesa NNA confirmou confrontos entre Israel e o Hezbollah em Bint Jbeil, bastião das milícias no sul libanês, igualmente sem confirmação de baixas até ao momento.

Nas últimas horas, o jornal israelita Haaretz, que cita fontes militares, noticiou que o exército retirou “boa parte das forças” no sul do Líbano para consolidar posições em vez de continuar a avançar.

Lusa

EUA intercetam navio iraniano face a incerteza sobre negociações

O exército dos Estados Unidos (EUA) anunciaram a interceção de uma embarcação de bandeira iraniana que tentava navegar até um porto no Irão, no âmbito do bloqueio naval ordenado pelo Presidente norte-americano Donald Trump.

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom, na sigla em inglês), responsável pelo Médio Oriente, divulgou na sexta-feira, na rede social X, uma fotografia do contratorpedeiro de mísseis guiados USS Rafael Peralta a intercetar o navio.

Embora não existam números consolidados do Centcom, pelo menos 29 navios mercantes e petroleiros em trânsito para ou a partir de portos iranianos foram obrigados a parar, segundo a imprensa norte-americana, desde o início do bloqueio, a 13 de abril.

Na quarta-feira, o Departamento de Defesa dos EUA anunciou a interceção de um navio que transportava petróleo iraniano no oceano Índico, a segunda operação militar deste tipo realizada no espaço de uma semana.

As forças norte-americanas também apreenderam um navio porta-contentores no fim de semana passado.

Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana, o exército ideológico da República Islâmica, apreendeu em 15 de abril dois navios no estreito de Ormuz por “operarem sem as autorizações necessárias".

Lusa

Kuwait liberta jornalista detido há 52 dias por cobrir guerra

O jornalista kuwaitiano-norte-americano Ahmed Shihab al-Din deixou o Kuwait, após ter sido absolvido da acusação de divulgar informações falsas, no contexto da guerra no Médio Oriente, e libertado após 52 dias de detenção.

O Departamento de Estado dos EUA anunciou a partida de Al-Din na sexta-feira, garantiu que o jornalista recebeu assistência consular e acrescentou que o paradeiro atual seria protegido por motivos de segurança.

Na quinta-feira, Al-Din foi absolvido das acusações de divulgação de informações falsas e de pôr em perigo a segurança nacional do Kuwait, acusações que o levaram a ser detido durante 52 dias.

Antes da detenção, o jornalista "comentou vídeos e imagens disponíveis publicamente relacionados com a guerra do Irão", disse o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ)

"Entre as suas publicações recentes estava um vídeo geolocalizado, verificado pela CNN, mostrando um caça norte-americano a cair perto de uma base aérea norte-americana no Kuwait", acrescentou o comité.

O caça terá sido abatidos por engano no Kuwait pelas defesas aéreas do país, nos primeiros dias do conflito que começou a 28 de fevereiro com a ofensiva EUA-Israel no Irão.

Al-Din, jornalista independente que trabalhou para o jornal norte-americano New York Times, a emissora do Qatar Al Jazeera English e a emissora pública norte-americana PBC, foi detido em 03 de março, enquanto visitava a família.

O CPJ sublinhou que Al-Din estava a ser processado, entre outras coisas, por "utilizar indevidamente o seu telemóvel", acusações denunciadas como "vagas e excessivamente amplas, rotineiramente utilizadas para silenciar jornalistas independentes".

Lusa

Acompanhe aqui todas as incidências  sobre a guerra no Médio Oriente

Bom dia!

Acompanhe aqui as incidências deste sábado sobre a guerra no Médio Oriente.

Soldados paquistaneses asseguram a segurança em Islamabad, onde Irão e Estados Unidos vão negociar
EUA impõem sanções a refinaria chinesa e 40 navios ligados ao Irão. MNE iraniano está em Islamabad
Diário de Notícias
www.dn.pt