Embaixador na ONU designado pela junta militar de Myanmar demite-se

No sábado, a junta tinha demitido Kyaw Moe Tun, que numa intervenção perante a Assembleia Geral exigiu o fim do golpe militar de 1 de fevereiro. Mas o seu número dois, Tin Maung Naing, rejeitou suceder-lhe no cargo.

O embaixador de Myanmar (antiga Birmânia) nas Nações Unidas, que foi designado na terça-feira pela junta militar como novo representante na organização, demitiu-se e assegurou que o seu antecessor continua a representar o país.

O porta-voz das Nações Unidas, Stéphane Dujarric, afirmou hoje que foram informados quarta-feira pela missão permanente de Myanmar "que o embaixador adjunto, Tin Maung Naing, entregou a sua carta de demissão ao Ministério dos Negócios Estrangeiros birmanês após recordar que Kyaw Moe Tun permanece como representante de Myanmar nas Nações Unidas".

No sábado, a junta militar tinha demitido Kyaw Moe Tun um dia após a sua intervenção perante a Assembleia Geral da ONU, na qual exigiu o fim do golpe militar desencadeado em 1 de fevereiro. A sua intervenção foi concluída com três dedos da mão levantados, o símbolo dos protestos que decorrem no país asiático.

Na segunda-feira, o diplomata tinha negado ao poder militar qualquer autoridade para o demitir. Após a designação do seu número dois pela junta, a ONU referiu encontrar-se perante uma situação muito rara, e remeteu a situação para um organismo interno responsável pelas acreditações.

Em última instância, esta secção poderá solicitar um voto por maioria simples da Assembleia Geral (193 países) para saber quem representa Myanmar na ONU.

A decisão possui um importante significado por implicar o reconhecimento de quem exerce o poder em Myanmar.

Desde terça-feira que Kyaw Moe Tun tem promovido encontros com todos os seus homólogos da União Europeia e a representante dos Estados Unidos, que lhe manifestaram o seu apoio, considerando-o um diplomata "corajoso".

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