Os deputados israelitas vão votar esta semana uma proposta de dissolução do Knesset apresentada pela coligação no poder, no meio da tensão entre o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e os aliados ultraortodoxos. A votação abrirá a porta a uma possível antecipação das eleições, originalmente previstas para 27 de outubro, para o início de setembro. Algo que Netanyahu estará a tentar evitar, segundo os media israelitas, considerando que esse calendário iria “colocar em perigo” a sua vitória. Os problemas para o líder israelita começam dentro da própria coligação, com os partidos Haredi (os ultraortodoxos) a acusar Netanyahu de não cumprir a promessa de aprovar uma lei que isentaria do serviço militar obrigatório os jovens da sua comunidade, que se dedicam ao estudo da Torá nas yeshiva (escolas religiosas). O serviço militar é obrigatório em Israel, tanto para os homens como para as mulheres, mas historicamente os ultraortodoxos eram exceção. Contudo, com a guerra na Faixa de Gaza, aumentou a pressão para que sejam chamados também a servir, com uma decisão nesse sentido do Supremo Tribunal em 2024.Algo que os partidos Haredi estão a tentar reverter com uma nova lei, acusando o primeiro-ministro de arrastar a situação para tentar ganhar tempo. “Já não confiamos em Netanyahu”, disse em comunicado o Degel HaTorah, fação ultraortodoxa da coligação. “Precisamos de dissolver o parlamento imediatamente.”Diante dessa hipótese, os partidos da oposição anunciaram que iam apresentar uma lei para dissolver o Knesset. Mas, não querendo que o eventual calendário das novas eleições fique nas mãos dos opositores, a coligação de seis partidos liderada pelo Likud de Netanyahu antecipou-se e apresentou a sua própria proposta - sem uma data concreta, indicando que esta deveria ser decidida por uma comissão do Knesset. A proposta de lei deverá ser votada na quarta-feira (20 de maio), sendo esse apenas o primeiro passo para ser aprovada. Apesar de não estar prevista uma data, as regras estabelecem que as eleições terão que ocorrer entre três e cinco meses após a aprovação da lei - o que daria entre início de setembro e 27 de outubro (a data que já estava prevista). Segundo o jornal The Times of Israel, os partidos Haredi estão a defender que os israelitas vão a votos no início de setembro - não estão de acordo, com o Judaísmo Unido da Torá a preferir logo a 1 e o Shas só a 15. Uma data próxima das grandes festas do judaísmo que começam a 11, quando as comunidades religiosas estão especialmente ativas e organizadas, criando mais oportunidades para angariar apoio.Mas Netanyahu quer as eleições o mais próximo possível da data inicial, para ter mais tempo para fazer campanha, falando que agora tem que estar focado na situação de segurança (com vários cessar-fogo em risco). Para tentar convencer os ultraortodoxos, o primeiro-ministro terá previsto um plano de cinco anos para ajudar os Haredi, que inclui por exemplo destacar 25% do orçamento do Ministério da Educação para a comunidade. Segundo os media israelitas, o primeiro-ministro terá também dito em conversas privadas que eleições em setembro “colocariam em risco” as hipóteses de vitória do bloco de direita. Sondagens internas citadas pelo Canal 12 colocam a coligação de Netanyahu aquém dos 61 lugares necessários para ter a maioria no Knesset, diante de uma aliança entre dois dos principais nomes da oposição, Naftali Bennett e Yair Lapid. E não são as únicas. .Bennett e Lapid aliam-se (de novo) contra Netanyahu e convidam Eisenkot a juntar-se.Uma sondagem publicada na sexta-feira pelo jornal Maariv mostrava que 55% dos inquiridos preferiam que Netanyahu não fosse candidato nas próximas eleições. A sondagem dava também o Likud com menos um deputado do que na semana anterior, assim como o partido do ministro Itamar Ben-Gvir (extrema-direita), deixando o bloco da coligação com apenas 49 deputados (e isto já com a subida de um lugar do Shas). A oposição, sem contar com os partidos árabes (estes conseguem dez lugares), conseguia eleger 61 deputados (a maioria) graças aos ganhos do Yashar!, o partido de Gadi Eisenkot. .Quem é o ex-líder das IDF que perdeu o filho na guerra em Gaza e quer derrotar Netanyahu?.O ex-líder das Forças de Defesa de Israel ainda estará a equacionar juntar-se à aliança Juntos, liderada por Bennett, com a imprensa israelita a dizer que essa decisão poderá ser tomada em breve. A sondagem diz que a aliança dos três conquistaria 49 deputados, mais dois do que há uma semana, frente aos 26 do Likud.