A 23 de junho de 2016, quase 52% dos eleitores britânicos votaram para sair da União Europeia (UE). Mas, uma década após o referendo do Brexit (o divórcio só se concretizou em 2020), 57% acreditam que essa decisão foi errada e 75% defendem uma relação mais próxima com os 27 (incluindo 63% que aceitariam reintroduzir a liberdade de movimentos em troca de uma relação comercial mais estreita). Estas são algumas das conclusões de um estudo do European Council on Foreign Relations (ECFR). Dez anos depois do referendo, 66% consideram que o Brexit teve um efeito negativo ou muito negativo no custo de vida, 65% na economia britânica, 60% na reputação do Reino Unido, 57% nas oportunidades para os mais jovens e 56% na entrada de imigrantes ilegais. Num hipotético referendo, 52% votariam a favor de voltar a aderir, com 31% a preferir continuar de fora da UE. Do lado dos europeus, 66% dos inquiridos apoiariam o regresso do Reino Unido.Quando questionados sobre que tipo de relação gostariam de ter com os 27, 33% dos britânicos defendem uma adesão plena à UE, enquanto 23% escolhem regressar ao mercado único ao estilo da Noruega (na prática com liberdade de movimentos, seguindo as regras europeias e contribuindo para o orçamento sem ter direito de voto ou de participação nas instituições) e 11% querem um novo acordo mais alargado.O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defendeu a ideia de uma relação mais próxima com os 27 - sem deixar cair as suas “linhas vermelhas” de não aderir ao mercado único ou à união aduaneira, nem à liberdade total de movimentos. E maior cooperação em matéria de Defesa ou Segurança, num mundo que está mais inseguro. Um marco importante para a relação seria a cimeira entre União Europeia e Reino Unido que foi confirmada apenas na semana passada e estava a ser preparada para ocorrer a 22 de julho.Starmer preparava-se para fechar uma série de acordos para reforçar os laços comerciais, integrar os mercados de eletricidade e impulsionar o programa de mobilidade dos jovens. A porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, disse que a cimeira está a ser “reavaliada”, tendo em conta que um novo primeiro-ministro britânico pode já ter tomado posse. .Starmer demite-se e deixa a porta aberta à “coroação” do “rei do Norte”