Deputado israelita diz que "se pudesse" fazia desaparecer os árabes

As declarações gravadas em vídeo estão a ser transmitidas por um portal de notícias israelita provocando uma série de críticas que atinge o governo.

O deputado israelita Matan Kahana, ex-vice-ministro do atual governo de direita, está a ser fortemente criticado por ter afirmado que "se pudesse" apertava um botão para fazer desaparecer os palestinianos mandando-os de "comboio para a Suíça".

Kahana, atual deputado do Yamania (aliança conservadora no poder) e ex-vice ministro dos Assuntos Religiosos referiu-se ao desaparecimento dos palestinianos num liceu na Cisjordânia.

Nos comentários que foram registados em vídeo, o deputado referia-se às "narrativas em conflito entre israelitas e palestinianos" que são "um grande obstáculo para a paz".

Inicialmente, o parlamentar estava a dar a entender que as duas partes não têm outra escolha a não ser encontrar uma forma para viverem juntos, mas depois expressou o desejo de fazer "desaparecer" para longe os cidadãos de origem árabe.

"Se houvesse um de botão que se pudesse apertar e fazer todos os árabes desaparecerem, mandando-os num comboio expresso para a Suíça, eu apertaria esse botão", disse Kahana.

"Mas o que é que podemos fazer? Esse botão não existe", acrescentou.

"Portanto, parece que fomos feitos para existir (juntos) nesta terra de alguma forma", concluiu o deputado.

As declarações gravadas em vídeo estão a ser transmitidas por um portal de notícias israelita provocando uma série de críticas que atinge o governo.

Kahana faz parte da coligação de oito partidos de direita liderada pelo primeiro-ministro, Naftali Benneett, sendo que pela primeira vez em Israel uma coligação governamental integra um partido árabe.

As ameaças de deportação são um tema muita sensível para os palestinos que na guerra que conduziu à criação do Estado Israel foram forçados a fugir dos locais onde habitavam, em 1948, e depois na guerra de 1967.

Alguns políticos nacionalistas de Israel já se referiram no passado à "transferência forçada" de cidadãos de origem árabe nascidos e residentes em território israelita, que de acordo com a lei são iguais aos judeus mas que, na realidade, enfrentam discriminação.

As comentários de Kahana já foram condenados por deputados palestinianos de Israel e pelos próprios membros da coligação governamental.

Do lado da oposição, o deputado Ahmad Tibi disse na rede social Twitter que faria "desaparecer Khana do governo e do Knesset", o Parlamento de Israel.

Michal Rozin, deputado da coligação governamental, disse entretanto que as observações são "mais do que intoleráveis".

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