Debate reforça vantagem de Scholz para chanceler

A 15 dias das eleições, social-democrata resistiu aos ataques do candidato da CDU e saiu incólume do segundo debate.

O vice-chanceler Olaf Scholz, do Partido Social Democrata (SPD), foi declarado vencedor do debate no domingo, quando faltavam duas semanas para as eleições parlamentares na Alemanha. Numa sondagem realizada na ressaca do programa televisivo, 41% dos 1500 inquiridos preferiram o desempenho do número dois do executivo e ministro das Finanças, apesar dos ataques dos outros candidatos na sucessão a Angela Merkel.

Armin Laschet, candidato da União Democrata Cristã (CDU), optou por uma mudança de tática em relação ao primeiro debate, mas recebeu 27% das preferências, valor semelhante (25%) ao de Annalena Baerbock, candidata dos Verdes. Scholz manteve-se fleumático, apelou para a responsabilidade de Laschet e disse que "a moderação é o caminho certo", uma forma de rejeitar cenários de radicalização caso o SPD formasse uma coligação pós-eleitoral com os Verdes e Die Linke (A Esquerda, pós-comunista).

O social-democrata Olof Scholz não diz com quem se coligará, mas adianta que "a moderação é o caminho certo".

Com a média das sondagens a darem vantagem nas intenções de voto ao SPD (25,9%) face à CDU-CSU (21,1%) e Verdes (15,8%), Laschet partiu para o ataque, lançando a dúvida sobre um governo com um partido que se opõe à NATO e tentando ligar Scholz a buscas recentes a um departamento de combate à lavagem de dinheiro do Ministério das Finanças. "Se o meu ministro das Finanças tivesse trabalhado assim tínhamos um problema grave", comparou Laschet, que é ministro-presidente da Renânia do Norte-Vestfália.

A primeira questão Scholz contornou dizendo que primeiro os alemães têm de votar, deixando todos os cenários em aberto. Se os resultados das sondagens se mantiverem, será natural o recurso a uma coligação de três partidos e aí os liberais (FDP) são a alternativa ao Die Linke. À segunda questão, o social-democrata alegou as "premissas falsas" do adversário e explicou que as buscas se centraram num único funcionário.

Laschet deu ainda um tiro no pé ao declarar que não se juntaria quer à extrema-esquerda quer à extrema-direita: os outros candidatos condenaram a comparação entre o Die Linke, partido inserido no quadro constitucional e outro, AfD, sob vigilância dos serviços secretos alemães por suspeitas de perigar a democracia; e também porque Laschet tem um candidato no leste alemão, Hans-Georg Massen, cujo discurso é parecido com o da AfD.

Foi sem surpresa que a candidata ecologista liderou ao abordar o tema das alterações climáticas, e responsabilizando a coligação de Scholz e Laschet de nada ter feito. Baerbock disse que o próximo governo será um dos últimos que pode fazer a diferença e que a meta de acabar com o recurso ao carvão tem de ser antecipada. "Não podemos continuar nos próximos 17 anos sem que nada estivesse a acontecer", afirmou.

As cheias de julho, que causaram 200 mortos e enorme destruição de casas e infraestruturas, só reforçaram as preocupações dos alemães no que respeita às alterações climáticas. Numa sondagem realizada nesse mês em 6000 lares, apesar de a pandemia ser a principal preocupação, e de quase um quarto dos inquiridos ter perdido rendimentos, 70% disseram que as alterações climáticas continuam a ser uma questão "invariavelmente importante" e 23% afirmaram inclusive que a sua importância tinha aumentado.

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