A operação contra Nicolás Maduro não foi suficiente para o presidente norte-americano, que vira agora a atenção para outros países vizinhos. Em declarações aos jornalistas, Donald Trump disse prever o colapso do governo cubano, ameaçou o presidente colombiano, deixou avisos ao México e também reiterou o desejo de anexar a Gronelândia. Cuba“Cuba parece estar pronta a cair”, disse aos jornalistas o presidente dos EUA, Donald Trump, a bordo do Air Force One. “Não sei se vão resistir, mas Cuba agora não tem rendimentos. Todos os seus rendimentos vinham da Venezuela, do petróleo venezuelano”, referiu, explicando que não deverá ser necessária qualquer ação militar na ilha, a menos de 150 quilómetros da Florida.Estima-se que pelo menos um quarto das necessidades energéticas cubanas seja suprida pelo petróleo venezuelano. Sem os 35 mil barris diários que a ilha recebia, devem piorar os apagões que se têm registado desde 2024 e que deixam Cuba sem energia durante horas, afetando a produtividade. O líder cubano, Miguel Díaz-Canel, não reagiu ainda ao prognóstico de Trump, tendo antes condenado a detenção de Nicolás Maduro e honrado os “corajosos combatentes cubanos que morreram a enfrentar os terroristas” dos EUA. Pelo menos 32, que faziam parte da equipa de segurança do ex-líder venezuelano, morreram no sábado. ColômbiaA Colômbia “é governada por um homem doente que gosta de fazer cocaína e vendê-la aos EUA”, disse Trump sobre o colombiano Gustavo Petro. “Ele não vai continuar a fazer isto durante muito tempo”, acrescentou, sem afastar uma operação militar. Mas poderá não precisar. A Colômbia vai a votos em maio para eleger o sucessor de Petro, que não se pode recandidatar. E tudo indica que o país vai voltar as costas à esquerda. A relação entre Trump e Petro, ex-guerrilheiro que chegou à presidência em 2022, nunca foi boa. O colombiano nunca poupou críticas ao norte-americano, tendo já respondido às últimas ameaças. “Jurei não tocar noutra arma desde o acordo de paz de 1989, mas, pelo bem da pátria, voltarei a pegar nas armas que não quero”, disse Petro no X, reiterando que não é “ilegítimo” nem “narco”. O colombiano disse ainda que “os EUA são o primeiro país do mundo a bombardear uma capital sul-americana em toda a história humana. Nem Netanyahu o fez, nem Hitler, nem Franco, nem Salazar”.México“Alguma coisa tem que ser feita com o México”, afirmou o presidente dos EUA. “Vamos ter de fazer alguma coisa. Gostaríamos que o México fizesse, eles são capazes, mas infelizmente os cartéis são muito fortes no México”, acrescentou Trump, que no passado sugeriu que poderia ser preciso ação militar para combater esses cartéis. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, já respondeu: “Não acredito numa invasão, nem sequer acho que seja algo que estejam a levar muito a sério”, disse aos jornalistas. “Em diversas ocasiões, [Trump] insistiu que o Exército dos EUA tivesse permissão para entrar no México. Dissemos um ‘não’ muito firme - primeiro porque defendemos a nossa soberania e, segundo, porque não é necessário.” A presidente mexicana rejeitou “categoricamente” qualquer intervenção nos assuntos internos de outro país e disse que “as ações unilaterais, a invasão, não podem ser a base das relações internacionais do século XXI.”Dinamarca“Precisamos da Gronelândia do ponto de vista da segurança nacional”, disse Trump em relação ao território semiautónomo da Dinamarca. “É um lugar estratégico. Neste momento a Gronelândia está repleta de navios russos e chineses”, acrescentou. A ameaça não é nova. O presidente nomeou há dias o governador da Louisiana Jeff Landry como enviado-especial para a Gronelândia e tem falado em anexar a ilha.A Dinamarca leva a sério a ameaça. “Infelizmente, penso que o presidente norte-americano deve ser levado a sério quando diz que quer a Gronelândia”, disse a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, à emissora pública DR.“Deixei bem claro qual é a posição do Reino da Dinamarca e a Gronelândia já afirmou repetidamente que não quer fazer parte dos EUA”, acrescentou, lembrando que se os EUA atacarem outro país da NATO “tudo pára”. O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, também pediu o fim das “fantasias sobre anexação”.