Áustria institui confinamento nacional para não vacinados

Nas últimas semanas, a Áustria tem registado uma "tendência preocupante" de aumento de casos de infeção.

O Governo austríaco instituiu um confinamento nacional para quem não está vacinado contra a covid-19, com início marcado para esta meia-noite, com o objetivo de abrandar a propagação do novo coronavírus no país.

Segundo agência de notícias AP, a medida proíbe os não vacinados maiores de 12 anos de saírem de casa, exceto para trabalhar, fazer compras, dar um passeio ou para serem vacinados.

Nas últimas semanas, a Áustria tem registado uma "tendência preocupante" de aumento de casos de infeção pelo novo coronavírus, tendo o número de casos positivos nas últimas 24 horas atingido os 11.552 novos casos.

"É nosso dever como Governo proteger o povo. Por isso, decidimos que a partir de segunda-feira haverá confinamento para os não vacinados", explicou o chanceler austríaco, em declarações aos jornalistas.

"A situação é séria ... Não damos esse passo com o coração leve, mas infelizmente é necessário", disse Alexander Schallenberg.

A AP explica que as autoridades austríacas receiam que o pessoal hospitalar já não seja capaz de lidar com o aumento de doentes com Covid-19.

O confinamento será controlado através de verificações aleatórias durante os próximos 10 dias, com o aumento das patrulhas policiais. Depois desse período, será revisto, de acordo com o governo.

Aqueles que infringirem as regras correm o risco de uma multa de 500 euros; aqueles que se recusarem a apresentar provas de que estão vacinados ou se recuperaram recentemente podem ser multados até ao triplo.

Schallenberg apelou novamente àqueles que ainda não foram vacinados para o fazerem.

Entretanto, centenas de pessoas reuniram-se em frente à chancelaria num protesto barulhento, agitando faixas que diziam "Não à vacinação obrigatória" e "Nosso corpo, nossa liberdade de decidir".

"Estou aqui para dar um sinal. Devemos lutar agora ... Queremos trabalhar, queremos ajudar as pessoas, mas não queremos vacinar-nos porque esta é, simplesmente, uma decisão nossa", disse Sarah Hein, uma funcionária hospitalar não vacinada, à AFP.

O governo anunciou na sexta-feira que a vacinação seria obrigatória para os profissionais de saúde.
Pelas regras atuais, os não vacinados já são proibidos de frequentar restaurantes, hotéis e locais culturais, a menos que possam mostrar que se recuperaram recentemente da doença.

"Pessoas saudáveis ​​estão a ser confinadas", disse outro manifestante à AFP, recusando-se a revelar o seu nome.

Viena está a endurecer ainda mais as regras, exigindo testes de PCR mesmo a vacinados ou recuperados da doença para participar em eventos com mais de 25 pessoas ou ir a bares e restaurantes à noite.

Também a partir de segunda-feira, a capital austríaca vai tornar-se a primeira região da UE a oferecer vacinas a crianças de cinco a 11 anos nos postos de vacinação.

Mais de cinco mil crianças já se inscreveram, apesar de A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) ainda não ter emitido uma autorização para nenhuma das vacinas a ser usada para essa faixa etária.

A Áustria tem uma das taxas de vacinação mais baixas da Europa Ocidental, estando em cerca de 65% da população totalmente vacinada.

A covid-19 provocou mais de cinco milhões de mortes em todo o mundo, entre mais de 251,87 milhões infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em vários países.

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