Costa e Zelensky. Encontro marcado este sábado em Kiev

Primeiro-ministro quer ser o artífice de um consenso alargado sobre a integração da Ucrânia na União Europeia.

Confirmando-se o anúncio feito há dias pelo Presidente da República - e que muito irritou os socialistas - o primeiro-ministro António Costa deverá este sábado reunir-se em Kiev com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Na sexta-feira, falando com jornalistas em Varsóvia, o chefe do Governo adiantou que conversará com o Presidente ucraniano sobre a importância de definir um estatuto especial para um caminho pragmático e progressivo de integração da Ucrânia na UE. "Os 27 Estados-membros da U têm de possuir a abertura suficiente para encontrarem o estatuto especial que é necessário para a Ucrânia, não nos agarremos a designações e concentremo-nos em ser pragmáticos", afirmou, numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo polaco, Mateusz Morawiecki, o qual, na mesma ocasião, também defendeu uma adesão rápida.

"Temos de encontrar uma solução que responda àquilo que é prioritário neste momento para a Ucrânia: Apoio militar, económico, humanitário e compromisso inquestionável para o esforço enorme de reconstrução."

"Reativamente aos contactos que manterei na Ucrânia com o Presidente Zelensky e com o primeiro-ministro ucraniano incidirão sobre as formas de apoio que, do ponto de vista bilateral, Portugal pode continuar a assegurar ao nível do fornecimento de equipamento militar, humanitário e financeiro. Vamos também discutir a perspetiva europeia da Ucrânia, tendo em vista a que possamos ajudar a construir uma posição de unidade na União Europeia", acrescentou.

Costa reconheceu a existência de uma posição diferenciada entre os Estados-membros da UE em matéria de processo de adesão da Ucrânia, mas procurou sobretudo dar ênfase aos pontos em que existe convergência: "Estamos reconhecidos e satisfeitos com a clara opção europeia da Ucrânia, todos reconhecemos a Ucrânia como parte da família europeia e todos sabemos bem quais as regras da União Europeia. Temos de encontrar uma solução que responda àquilo que é prioritário neste momento para a Ucrânia: Apoio militar, económico, humanitário e compromisso inquestionável para o esforço enorme de reconstrução."

"Acho que é muito importante a integração da Ucrânia no mercado comum, com a libertação das regras aduaneiras. O papel de Portugal é ouvir todos e procurar encontrar um ponto de consenso."

"Temos de ser criativos em encontrar soluções. Tenciono identificar quais as necessidades em concreto requeridas pelas autoridades ucranianas e, partir daí, procurar construir uma solução imediata que una toda a União Europeia. Acho que é muito importante a integração da Ucrânia no mercado comum, com a libertação das regras aduaneiras. O papel de Portugal é ouvir todos e procurar encontrar um ponto de consenso."

Costa recordou, por exemplo, que a a Roménia entende que não se deve iniciar o processo de adesão da Ucrânia antes de serem tratadas as candidaturas da Moldávia e da Geórgia. Já a Alemanha defende a prioridade aos países do Balcãs ocidentais e "há vários Estados-membros que entendem que, neste momento, a UE não está em condições de conceder a adesão a nenhum país". Assim, o que importa é "ultrapassar estes pontos de divisão e concentramo-nos naquilo que a Ucrânia precisa em concreto". com Lusa

joao.p.henriques@dn.pt

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