Os “coletivos” são milícias armadas que patrulham de moto as ruas de Caracas e são acusadas de várias violações dos direitos humanos. Por detrás deste grupo paramilitar, que entre outras coisas tem o poder para exigir ver o telemóvel de qualquer pessoa à procura de críticas ao regime, está o ministro do Interior, da Justiça e da Paz venezuelano, Diosdado Cabello. Um veterano do regime que, segundo a Reuters, os EUA estão a pressionar a colaborar com a nova líder interina, Delcy Rodríguez, ou optar pelo exílio. “Duvidar é traição”, dizia o boné que Cabello, que é também responsável pela polícia e as milícias, usou numa manifestação na terça-feira de apoio ao ex-líder venezuelano. Nicolás Maduro foi retirado pelos militares norte-americanos do palácio presidencial no sábado e levado para ser julgado em Nova Iorque por narcoterrorismo. De acordo com pelo menos três fontes da agência de notícias, os EUA estão preocupadas com a possibilidade de Cabello, dada a sua história de rivalidade com Rodríguez e de repressão, estragar os planos para manter o que resta do regime sob controlo. Para evitar esse cenário, estão a tentar forçá-lo a optar pelo exílio, avisando-o que pode ser o próximo alvo dos militares americanos se não cooperar - e ter o mesmo destino (ou pior) que Maduro. Cabello também está acusado de narcotráfico pela justiça dos EUA.Da mesma forma, os americanos estão a olhar para o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, que controla a Força Armada Nacional Bolivariana. Mas acreditam que ele é menos dogmático do que Cabello e mais propenso a seguir a linha imposta pelos EUA, enquanto procura uma saída para evitar o mesmo destino que Maduro. Diosdado Cabello, que é capitão do Exército, é um dos veteranos do regime. A sua ligação ao ex-líder Hugo Chávez (que esteve no poder entre 1999 até à sua morte, em 2013) remonta à tentativa de golpe militar que este liderou em fevereiro de 1992 contra o então presidente Carlos Andrés Pérez. Quando Chávez foi eleito, ocupou vários cargos, tendo sido vice-presidente, ministro do Interior, da Justiça, das Infraestruturas ou das Obras Públicas. Em 2002, quando Chávez foi derrubado num golpe, assumiu interinamente o poder durante quatro horas, tendo a sua primeira ordem sido ir resgatar o presidente. Quando Chávez morreu era presidente da Assembleia Nacional, o que em teoria o colocava como o próximo presidente. Mas Nicolás Maduro, que tinha sido escolhido por Chávez, ocupou o cargo e ele tornou-se no homem por detrás das forças de segurança e milícias, incluindo os coletivos. É acusado de reprimir os protestos e a cobertura mediática crítica de Maduro, incluindo por uma missão independente de direitos humanos das Nações Unidas em 2024..Senado aprova resolução que pode limitar os poderes de guerra de Trump. Venezuela liberta presos políticos.Petróleo: dos barris que Trump diz que o regime venezuelano lhe vai dar ao navio russo apreendido