Acabou morto o suspeito do “ataque terrorista islamista” ocorrido na véspera, em Berlim, após uma caça ao homem que atropelou dezenas de pessoas, matando uma, na marcha do orgulho LGBT, conhecida na Alemanha como Christopher Street Day, em referência aos confrontos entre as minorias sexuais e a polícia de Nova Iorque, em 1969, devido à violência desta última sobre as primeiras. As autoridades vão ter de explicar como é que um evento com 2200 polícias destacados não impediu um ataque daquela natureza. E como é que alguém preso e condenado no Líbano e depois na Alemanha, em maio, acabou em liberdade. Ao longo do dia de ontem, foram várias as homenagens às vítimas do atropelamento em massa que ocorreu na noite anterior nas imediações do festival, numa estrada do parque Tiergarten, e que matou uma mulher e feriu outros 29, alguns com gravidade - não apenas com a carrinha, mas depois, ao esfaquear transeuntes. Após uma cerimónia na igreja de Santa Maria, na qual o presidente da Câmara de Berlim, Kai Wegner, discursou, foi realizada uma marcha de luto até às Portas de Brandeburgo. “Foi um ataque a todos nós, à nossa democracia liberal, à abertura e à liberdade”, afirmou. As palavras do chanceler estiveram no mesmo comprimento de onda. “Não se deixem, não nos deixemos intimidar”, disse Friedrich Merz, dirigindo-se quer aos participantes da marcha gay, quer aos restantes alemães. .Merz deslocou-se ao local do atentado e, acompanhado dos ministros Alexander Dobrindt (Interior), Stefanie Hubig (Justiça) e Karin Prien (Educação), depositou flores no local. “Abalado e indignado”, o presidente Karl-Walter Steinmeier disse: “Este ato é um ataque à nossa sociedade aberta, ao nosso estilo de vida e à nossa capacidade de viver em conjunto.”Abdul Ballout, cidadão nascido na Alemanha há 21 anos com origem libanesa, foi identificado pelas autoridades como o suspeito do “atentado terrorista islamista”, como descreveu o ministro Dobrindt. Horas depois foi localizado num parque no bairro de Spandau. Segundo a polícia, foi abatido ao tentar agredir os agentes com uma arma branca. Terminou desta forma a breve e tumultuosa vida de quem, no ano passado, foi preso e condenado no Líbano por ter tentado juntar-se ao Estado Islâmico. Detido no aeroporto de Berlim quando foi expulso do Líbano, foi condenado por “preparar um ato grave de violência que colocava o Estado em perigo” e ainda por publicar propaganda do grupo terrorista que continua ativo na Síria. Mas a sentença do tribunal, um ano e dez meses de pena suspensa, deixou-o em liberdade. O tribunal disse ter levado em consideração os meses de prisão preventiva, a confissão e o aparente distanciamento com o Estado Islâmico. Apesar dos elogios públicos à atuação policial, ruas com multidões fora do perímetro fechado ao trânsito mostraram os seus limites. Pior, como é que um “conhecido extremista” tem os meios e a oportunidade para agir? É essa a pergunta do deputado da Alternativa para a Alemanha (AfD) Thorsten Weiss, que solicitou uma reunião de emergência da respetiva comissão parlamentar, enquanto afirmava que o seu país tem um sério problema com o islamismo. .Suspeito do ataque a marcha LGBTQ+ é simpatizante do Estado Islâmico. Ministro aponta para ataque terrorista .Berlim chora vítimas de ataque contra comunidade LGBTQIA+ (veja imagens)