Coligação de esquerda suíça mantém oposição à compra de aviões F35 dos EUA

Em setembro de 2020, os suíços tinham aprovado em referendo - por uma margem muito curta - o gasto de seis mil milhões de francos (5,6 mil milhões de euros) destinados à aquisição de uma nova frota por parte da Força Aérea do país.

Uma coligação de esquerda da Suíça que se opõe à compra de aviões de combate F-35 dos Estados Unidos comunicou esta sexta-feira que está próxima de obter as condições necessárias para a realização de um referendo sobre o assunto.

A coligação Stop-F35 indicou que já recolheu 100 mil assinaturas necessárias para proceder à petição mas as forças que se opõem à iniciativa reclamam que nem todos os nomes que foram inscritos são válidos.

Mesmo assim, o grupo Stop-35 espera apresentar o texto com o projeto de referendo durante o verão.

"Este debate vai continuar porque é necessário e urgente dado o custo 'explosivo' dos F-35 e as implicações que a aquisição tem na política externa assim como as muitas falhas (técnicas) que se verificam neste avião de combate", disse à agência ATS-Keystone Mariona Schlatter, da formação política suíça Vert.e.s. que forma parta da coligação de esquerda Stop-35.

O governo decidiu no final de junho de 2021 adquirir 36 aparelhos de combate F-35 fabricados pelo construtor norte-americano Lockheed Martin.

Em setembro de 2020, os suíços tinham aprovado em referendo - por uma margem muito curta - o gasto de seis mil milhões de francos (5,6 mil milhões de euros) destinados à aquisição de uma nova frota por parte da Força Aérea do país.

O governo suíço defende que o aparelho (F-35) é o melhor avião de combate e com o preço mais acessível de todos os que se encontravam na lista para um possível contrato (Rafale, F/A-18 e o Eurofighter).

Mas, as inúmeras dificuldades técnicas verificadas no tipo de avião de fabrico norte-americano levou à criação de duas comissões parlamentares no sentido de se proceder a um inquérito de avaliação sobre o aparelho.

Mesmo assim, o governo suíço anunciou na semana passada que pretende acelerar o processo de aquisição porque a oferta norte-americana expira no final do mês de março de 2023 sugerindo que o Conselho Federal não quer esperar pelo resultado da eventual consulta popular.

"Trata-se de uma postura altamente discutível do ponto de vista democrático", afirma a organização do movimento Stop-F35 considerando que o referendo pode vir a realizar-se até março do próximo ano.

Encarado como um produto de exportação que garante o domínio de Washington em relação aos aviões de combate, o F-35 foi objeto de uma parceria com oito países, incluindo o Reino Unido e que prevê uma participação de cada um dos Estados no fabrico do aparelho.

De acordo com os contactos estabelecidos com Washington, os aviões destinados à Suíça seriam construídos quase integralmente em Itália.

Recentemente, a Alemanha juntou-se à lista de países que pretende adotar o aparelho para a Força Aérea do país, depois de já ter sido adquirido pelo Reino Unido, Bélgica, Dinamarca, Itália, Finlândia, Noruega, Países Baixos e Polónia.

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