A China admitiu esta segunda-feira respeitar o "estatuto de Estado soberano" de todos os países ex-soviéticos, depois de o embaixador de Pequim em França ter provocado a indignação na Europa com declarações que questionam a soberania dessas nações.."A China respeita o estatuto de Estado soberano das repúblicas participantes após a dissolução da União Soviética", disse aos jornalistas a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning..O embaixador de Pequim em França, Lu Shaye, desencadeou um furor depois de sugerir que os países que emergiram após a queda da União Soviética "não têm estatuto efetivo ao abrigo do direito internacional porque não existe um acordo internacional que confirme o seu estatuto de nações soberanas"..Os comentários do embaixador pareciam referir-se não só à Ucrânia, que a Rússia invadiu em fevereiro de 2022, mas também a todas as antigas repúblicas soviéticas que emergiram como nações independentes após a queda da União Soviética em 1991, incluindo membros da União Europeia.."A China respeita a soberania, independência e integridade territorial de todos os países e defende os objetivos e princípios da Carta da ONU", insistiu Mao.."Após o colapso da União Soviética, a China foi um dos primeiros países a estabelecer relações diplomáticas com países relevantes", concluiu..O chefe da política externa da União Europeia Josep Borrell classificou as observações de "inaceitáveis", acrescentando num tweet que a UE "só pode supor que estas declarações não representam a política oficial da China"..Twittertwitter1650148235166531586.A China distanciou-se das observações de Lu - defendendo ao mesmo tempo a sua alegada posição neutra sobre a guerra da Rússia na Ucrânia.."Desde o estabelecimento de laços diplomáticos, a China sempre aderiu ao princípio do respeito mútuo e da igualdade para desenvolver relações bilaterais amigáveis e de cooperação", disse Mao.."Alguns meios de comunicação social interpretam mal a posição da China sobre a questão ucraniana e estão a semear a discórdia nas relações entre a China e os países relevantes", acrescentou, alertando: "estaremos vigilantes a este respeito"..Os comentários de Lu na semana passada provocaram uma onda de indignação em toda a Europa, levando os três países bálticos da UE a convocar na segunda-feira os enviados da China para explicar as observações..O Ministro dos Negócios Estrangeiros lituano Gabrielius Landsbergis escreveu na rede social Twitter que "se alguém ainda se pergunta porque é que os Estados Bálticos não confiam na China para 'intermediar a paz na Ucrânia', aqui está um embaixador chinês a argumentar que a Crimeia é russa e que as fronteiras dos nossos países não têm base legal"..Twittertwitter1649760476153118722.Lu já reconheceu anteriormente fazer parte da chamada classe de diplomatas chineses "Wolf Warrior", um apelido dado àqueles que respondem veementemente às críticas que percebem como hostis à China..Em janeiro de 2019, como embaixador no Canadá, acusou o país norte-americano de "supremacia branca" por ter exigido a libertação de dois canadianos detidos na China, dias depois do executivo Huawei Meng Wanzhou ter sido preso no Canadá a pedido dos Estados Unidos..Em agosto de 2022 provocou indignação ao sugerir que o povo taiwanês precisaria de ser "reeducado" na sequência de uma tomada do poder pelos chineses da ilha auto governada.