China e EUA anunciam plano para "fortalecer a ação climática" e relançam acordo na COP26

De manhã foi revelado um rascunho da resolução final da cimeira e Johnson tinha admitido uma "situação difícil" para alcançar um acordo. Ao fim da tarde veio a surpresa.

A China anunciou ontem ter chegado a acordo com os EUA para "fortalecer a ação climática", num gesto que poderá permitir relançar o debate na Cimeira do Clima em Glasgow (COP26) e permitir uma resolução final mais forte. Um rascunho deste texto, que tinha sido conhecido de manhã, dava quase como perdida a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais. E exortava os países a "revisitar e fortalecer as suas metas para 2030 nas suas contribuições nacionalmente determinadas, de forma a torná-las compatíveis com as metas do Acordo de Paris até ao final de 2022", três anos antes do previsto.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, tinha admitido uma "situação difícil" para alcançar um acordo. Mas, ao final do dia, veio a surpresa. Segundo o enviado especial chinês a Glasgow, Xie Zenhua, a China e os EUA - que representam quase 40% das emissões mundiais de carbono - "reconhecem que há uma lacuna entre os esforços atuais e os objetivos do Acordo de Paris". Por isso, os dois países dizem que vão "fortalecer em conjunto a ação climática". Xie falou em "planos concretos" nesta "década crítica" - nomeadamente ao nível do corte nas emissões de metano -, dizendo ainda que há abertura para finalizar o "livro de regras" do Acordo de Paris em Glasgow.

A cimeira termina na sexta-feira - noutros anos já se prolongou pelo fim de semana - e até lá será debatida a resolução final da COP26. O rascunho do texto "expressa alarme de que as atividades humanas tenham causado um aquecimento de 1,1ºC até agora e que os impactos já estejam a ser sentidos". Contudo, reafirma o objetivo de manter o aquecimento global "bem abaixo" dos 2ºC, como previsto no Acordo de Paris de 2015, e "prosseguir esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5º C". Mas reconhece que é preciso "ação significativa e eficaz" de todos.

O texto "nota com grande preocupação" que as atuais promessas de financiamento para ajudar os países mais pobres são insuficientes, pedindo aos países desenvolvidos que "aumentem urgentemente" o financiamento climático".

susana.f.salvador@dn.pt

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