O chefe do recém-criado comité tecnocrático pela gestão de Gaza ficou a saber o que as autoridades israelitas pensam do seu cargo, ao ser retido durante mais de seis horas na passagem de Allenby, que liga a Cisjordânia ocupada à Jordânia. Ali Shaath encaminhava-se para o Cairo, onde se realizou a primeira reunião do comité, depois de na véspera se ter chegado a um consenso sobre os 15 nomes que o integram.Segundo um funcionário palestiniano ouvido pelo Times of Israel, o atraso a que Israel sujeitou Shaath demonstra o desejo de sabotar o trabalho do comité tecnocrático e da falta de vontade política para que os palestinianos tenham autonomia.Telavive foi surpreendida, na quarta-feira, pelo anúncio do enviado norte-americano Steve Witkoff de que a segunda fase do plano de paz entrou em vigor. O acordo previa como condição de passagem à segunda fase a entrega de todos os corpos dos sequestrados pelo Hamas. No entanto, as buscas realizadas por elementos do movimento islamista ao cadáver de Ran Gvili, o jovem polícia morto em 7 de outubro ao defender um kibbutz, não deram ainda frutos. O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu prometeu bloquear o plano de paz enquanto o corpo não for devolvido. .Witkoff lança Fase 2 do plano dos EUA para a Faixa de Gaza, mas não revela detalhes.Mas os EUA avançaram. Depois da nomeação do diplomata búlgaro Nickolay Mladenov para liderar o Conselho de Paz, foi aprovada a equipa que constitui o comité tecnocrático, o que incluiu a luz verde de Israel. A equipa de 15 palestinianos, que vai trabalhar sob a supervisão do Conselho de Paz, foi saudada quer pela Autoridade Palestiniana, quer pelo Hamas. Ali Shaat foi vice-ministro dos Transportes da Autoridade Palestiniana. Comandante mortoPelo menos seis pessoas, incluindo um membro sénior da ala armada do Hamas, foram mortas num ataque israelita a uma residência no centro de Deir al-Balah, na Faixa de Gaza. O ataque visou a residência do oficial mais graduado das Brigadas al-Qassam, Muhammad al-Hawli, matando-o juntamente com a sua mulher, a filha e outros, em mais uma violação do cessar-fogo.O dirigente do Hamas Osama Hamdan confirmou o assassínio do comandante da ala armada do Hamas. “É uma escalada perigosa e revela a intenção de Israel de minar o acordo de cessar-fogo”, afirmou Hamdan, que apelou ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao seu enviado Witkoff, para responsabilizarem Israel. “Washington deve demonstrar o compromisso de Israel com o acordo de cessar-fogo.”