Mais de onze mil polícias e militares estão destacados, esta sexta-feira (7 de agosto) para garantir a segurança da tomada de posse de Abelardo de la Espriella como presidente da Colômbia. Numa altura em que a violência se tem vindo a agravar devido a disputas territoriais entre grupos criminosos e guerrilhas, o governo cessante alerta para a ameaça “latente” de “atos terroristas” durante o evento, que pela primeira vez se realiza em Cali. A oposição de esquerda, no meio das denúncias do ainda presidente Gustavo Petro de alegada “fraude eleitoral”, apelou à “desobediência civil pacífica” e tem previstas concentrações em várias cidades. El Tigre, como é conhecido o outsider da direita radical que derrotou o candidato de esquerda nas presidenciais colombianas, decidiu fazer a tomada de posse em Cali e não em Bogotá para enviar uma mensagem aos grupos armados, contra os quais prometeu “mão dura”. A uma semana da cerimónia, De la Espriella ameaçou “abater” os “bandidos” que não se rendessem. “Depois não digam que não avisámos”, disse aos jornalistas. Na contagem decrescente para a tomada de posse, as autoridades colombianas disseram ter intercetado um camião cheio de explosivos numa estrada para Cali - um outro, em Cúcuta, explodiu à entrada de um quartel, ferindo 11 agentes e matando um cão-polícia.Os responsáveis do departamento de Cauca ofereciam entretanto uma recompensa de até 500 milhões de pesos colombianos (quase 140 mil euros) por informações que ajudem a evitar qualquer ataque antes e durante o evento. A cerimónia será na Arena da Universidade de Santiago de Cali e contará com a presença do rei de Espanha e de sete chefes de Estado latino-americanos, além de dois vice-presidentes e várias delegações estrangeiras. Portugal estará representado pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro.A delegação dos EUA, país com o qual De la Espriella pretende reforçar os laços, é liderada apenas pelo procurador-geral interino Todd Blanche. A aposta de El Tigre na descentralização passa também por um novo gabinete em Barranquilha, na costa caribenha. A “Casa Branca tropical”, como já foi apelidada por alguns, fica dentro de instalações do Exército e está ainda a ser alvo de obras. Diante da crítica do uso de dinheiros públicos, as autoridades indicaram que os trabalhos foram feitos com recursos privados. De la Espriella também vai trocar a residência oficial em Bogotá pelo Palácio de São Carlos, até agora ligado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, querendo que a Casa de Nariño passe a ser um museu. OposiçãoDepois de ter surpreendido ao ser o mais votado na primeira volta das presidenciais, a 31 de maio, o outsider De la Espriella foi declarado vencedor da segunda volta, que decorreu a 21 de junho, derrotando por pouco mais de 250 mil votos Iván Cepeda, o candidato de esquerda apoiado pelo presidente Gustavo Petro. Cepeda acabou por reconhecer a vitória do rival da direita radical, mas declara-se em “desobediência civil pacífica” e convida os colombianos a fazerem o mesmo. Uma das críticas que faz a De la Espriella prende-se com o facto de este também ter nacionalidade norte-americana (e italiana), considerando que é incompatível com ser presidente e deve renunciar a ela. Um tribunal já rejeitou o argumento. Para o dia da posse, a oposição marcou concentrações em Cali, Barranquilha e Bogotá. “No dia 7 de agosto, estaremos, como sempre estivemos, ao lado do povo colombiano. Não aceitaremos ser impedidos de exercer o nosso direito democrático à oposição política”, indicou Cepeda num vídeo nas redes sociais, insistindo que a sua presença será “uma expressão pacífica de desobediência civil e soberania popular”.Já Petro insiste que houve fraude eleitoral por parte de El Tigre, com apoio estrangeiro, apesar de nem as autoridades eleitorais locais nem os observadores internacionais terem detetado irregularidades. E diz temer uma “guerra civil”. Quem vai tomar posse é “um presidente ilegítimo”, alega, defendendo que “a população colombiana o vai obrigar a renunciar” e que o seu mandato será “breve”. O próprio Petro deixa o poder no meio de um escândalo de corrupção que envolve Juliana Guerrero, uma jovem de 23 anos que quis nomear para vice-ministra da Igualdade até vir a público que tinha falsificado o título académico. Nas revelações mais recentes, há mensagens que revelam que ela e a irmã cobravam, alegadamente, um milhão de pesos a empresários por uma reunião inicial, exigiam um adiantamento de 200 milhões (cerca de 55 mil euros) para iniciar as diligências e 10% do valor de qualquer contrato que pudessem celebrar com o Estado..Presidente cessante da Colômbia reitera alegações de fraude eleitoral.Abelardo de la Espriella: da posse em Cali ao corte de relações com Cuba e Nicarágua.‘El Tigre’ recebe apoio de Trump e é favorito à vitória nas presidenciais na Colômbia