Exclusivo Brahim Ghali. A crise diplomática por trás da crise migratória em Ceuta

A hospitalização em Espanha do líder da Frente Polisário não agradou a Marrocos, que prometeu "consequências". Durante dois dias, Rabat não travou migrantes ilegais.

A crise pode ser migratória, com mais de oito mil imigrantes ilegais a entrar no enclave espanhol de Ceuta em apenas dois dias (mais de 5600 já foram entretanto devolvidos a Marrocos), mas por detrás do desespero de homens, mulheres e crianças esconde-se uma disputa diplomática. E um rosto: Brahim Ghali, de 71 anos. O líder da Frente Polisário, que reivindica o direito à autodeterminação do Saara Ocidental, deu entrada num hospital espanhol, sob um nome falso, para receber tratamento contra a covid-19 e isso irritou os marroquinos, que resolveram abrir as fronteiras em retaliação contra Madrid.

O Saara Ocidental, um território que tem o triplo do tamanho de Portugal e é praticamente só deserto, foi colónia espanhola até 1975. Depois, veio a ocupação marroquina, com a Frente Polisário, que tinha nascido para lutar inicialmente contra a presença espanhola, a empreender uma guerra de guerrilha. As Nações Unidas negociaram um cessar-fogo em 1991, com Marrocos a assumir o controlo da grande maioria do território e a promessa de um referendo, que nunca se chegou a concretizar. Considerados terroristas por Rabat, que aceita dar maior autonomia ao Saara Ocidental, mas não a independência, a Frente Polisário conta com o apoio da Argélia, que acolhe o governo saarauí no exílio, além de mais de 180 mil refugiados.

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