Boris em maus lençóis por foto em que parece violar regras contra a covid-19

Popularidade do primeiro-ministro britânico em queda, numa altura em que o país reforça as medidas para conter a Ómicron.

Depois do vídeo em que funcionários de Downing Street brincam com o facto de ter havido uma festa natalícia no ano passado, quando tais eventos estavam proibidos, surge agora uma fotografia em que se vê o próprio Boris Johnson alegadamente a participar num jogo de Natal com dois colegas. Estão no interior de uma sala, sem máscara, quando este tipo de interação entre membros de diferentes agregados familiares estava proibido em Londres. Este é apenas o mais recente escândalo a envolver o primeiro-ministro britânico, que está em queda nas sondagens - tal como o seu Partido Conservador.

"Quando as normas diziam que as pessoas não podiam organizar festas de Natal no trabalho e que os britânicos faziam o que tinha que ser feito, Boris Johnson estava a presidir a uma cultura de desprezo das normas no coração do governo", denunciou a número dois do Labour, Angela Rayner. O próprio líder trabalhista, Keir Starmer, considerou que a revelação feita pelo Sunday Mirror é "muito séria" e que é "difícil entender" como é que a presença de Johnson numa sala com assessores, um deles a usar uma fita de Natal ao pescoço outro um chapéu de Pai Natal, estava "em conformidade com as regras".

O ministro da Educação, Nadhim Zahawi, saiu contudo em defesa do primeiro-ministro, dizendo à Sky News que este só participou no "jogo virtual de perguntas e respostas durante 10 ou 15 minutos" com a equipa, sendo que o objetivo era arrecadar fundos para ações de caridade. Mas este não é o único escândalo a atingir o primeiro-ministro, que está também sob suspeita de ter enganado o Parlamento ao negar que tivesse havido uma festa de Natal em Downing Street em 2020 - o vídeo em que funcionários brincam com o facto de ter havido essa festa já levou à demissão da então assessora de imprensa, Allegra Stratton.

Além dos problemas natalícios, Johnson está também em maus lençóis por causa das obras no seu apartamento em Downing Street, que terá sido financiado por um doador do Partido Conservador. E nem o anúncio do nascimento da sua filha com a atual mulher, Carrie, parece suficiente para lhe permitir recuperar popularidade.

Dois anos depois da vitória eleitoral que lhe deu uma confortável maioria no Parlamento, uma sondagem Opinium para o The Observer, divulgada no sábado à noite, coloca o Labour nove pontos percentuais à frente dos Tories. Além disso, 57% dos inquiridos defendem que Johnson devia demitir-se, o que representa um aumento de nove pontos percentuais em relação à última sondagem, há duas semanas. A popularidade de Johnson caiu para os -35%, uma queda de 14 pontos em relação ao recorde que de -21% que já tinha sido alcançado no final de novembro.

A semana que agora começa ameaça trazer ainda mais problemas. Na terça-feira enfrenta uma rebelião entre os deputados conservadores em relação às novas regras contra a covid-19, numa altura em que aumentou o nível de alerta e novas medidas estão a ser tomadas para conter a variante Ómicron - incluindo testes diários para os contactos suspeitos dos infetados que tenham a vacinação completa e isolamento profilático de dez dias para os que não estão. O plano deve passar, mas porque conta com o apoio do Labour. Além disso, na quinta-feira, haverá eleições intercalares em North Shropshire (após a demissão do deputado conservador devido a um escândalo), com os liberais-democratas à frente nas sondagens.

Ainda em relação à covid-19, o primeiro-ministro avisou este domingo que "se aproxima uma forte onda" da doença com o avanço da variante Ómicron, estabelecendo como meta administrar a terceira dose da vacina a todos os maiores de 18 anos antes do final do ano.

susana.f.salvador@dn.pt

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