Ayuso arrasa em Madrid e Iglesias abandona a política

PP fica à beira da maioria absoluta, supera toda a esquerda e só precisa da abstenção do Vox. PSOE perde mais de uma dezena de deputados regionais e fica com os mesmos que o Más Madrid, que consegue contudo mais votos. Ciudadanos desaparece, depois de ter sido terceiro em 2019.

O Partido Popular venceu as eleições regionais de Madrid e conseguiu eleger mais deputados do que toda a esquerda, pelo que a presidente da Comunidade, Isabel Díaz Ayuso, só precisará da abstenção do Vox para poder ser reeleita. No rescaldo eleitoral, Pablo Iglesias anuncia que deixa a política e todos os seus cargos.

No discurso de vitória, Ayuso disse que toda a Espanha e todo o mundo viu como em Madrid "ganha a liberdade". Deixando claro que governará para todos, referiu que a forma de governar "com opulência e hipocrisia" desde a Moncloa "tem os dias contados".

O líder do PP, Pablo Casado, foi ainda mais longe, alegando que Madrid "fez uma moção de censura ao sanchismo", numa referência ao primeiro-ministro, Pedro Sánchez.

Este reagiu no Twitter, dando os parabéns a Ayuso e garantindo que o PSOE estará sempre preparado para trabalhar por um Madrid melhor.

Quando estavam contados 96,7% dos votos, o PP elegia 65 deputados (a maioria absoluta são os 69), o PSOE elegia 24, os mesmos do Más Madrid (que tinha contudo mais votos), o Vox tinha 13 e a Unidas Podemos 10. Ou seja, a esquerda não ia além dos 58 representantes na Assembleia de Madrid. O Ciudadanos, como previam as sondagens, fica de fora.

Ao ter mais deputados que toda a esquerda junta, o PP só precisa de uma abstenção do Vox na segunda votação de investidura (onde só precisa de maioria simples) para Ayuso ser reeleita. Mas o líder do Vox, Santiago Abascal, já disse que irá facilitar a investidura logo à primeira com os seus votos.

Abascal disse que Madrid "derrotou a frente popular". E lembrou que o seu partido, que diz ser "demonizado" nos media, será essencial na próxima Assembleia.

Em 2019, o PSOE foi o mais votado, elegendo 37 membros da Assembleia de Madrid, seguido do PP que elegeu 30 e fez um acordo de governo com o Ciudadanos, que foi terceiro elegendo 26 deputados regionais, o Más Madrid elegeu 20 deputados, o Vox elegeu 12 (e apoiou o governo PP/Ciudadanos) e a Unidas Podemos elegeu 7.

O PSOE perde com a candidatura de Ángel Gabilondo mais de uma dezena de representantes e, mais importante, foi ultrapassado em número de votos pelo Más Madrid. O representará uma derrota para o primeiro-ministro Pedro Sánchez, apesar de o PSOE estar a tentar que não haja comparações a nível nacional.

Iglesias abandona a política

O PSOE é o único partido de esquerda a cair, já que também a Unidas Podemos, do ex-vice-presidente espanhol Pablo Iglesias, consegue melhorar os resultados de 2019. Iglesias anunciou entretanto que deixa a política. "Deixo todos os meus cargos. Deixo a política entendida como política de partido e institucional", disse, referindo que continuará comprometido com Espanha, mas não vai ser um entrave à renovação da liderança. "Estes resultados deixam claro, eu não sou uma figura política que possa contribuir a melhorar o nosso peso eleitoral".

"Esta é uma comunidade muito importante, mas não representa o conjunto de Espanha", disse o secretário de Organização do PSOE e ministro dos Transportes, José Luis Ábalos, numa reação ao resultado.

Outro derrotado da noite será o Ciudadanos, que está em plena crise de resultados desde as eleições gerais de 2019 que levaram à demissão do líder, Albert Rivera. Não consegue eleger representantes em Madrid.

As eleições antecipadas em Madrid foram desencadeadas depois de Ciudadanos (com o apoio do PSOE) ter rasgado o acordo com o PP no governo de Múrcia, numa moção de censura que depois viria a fracassar. Ayuso, temendo que o mesmo acontecesse em Madrid, antecipou-se e convocou as eleições.

Participação elevada

A taxa de participação nas eleições regionais de Madrid era às 19.00 (18.00 em Lisboa) de 69,14%, mais de 11 pontos percentuais do que à mesma hora nas eleições de 2019 (58,13%). Com mais de 96% dos votos contados, a participação chegava aos 76%.

Apesar de a votação decorrer um dia da semana, ao contrário do que é habitual, e realizar-se em plena pandemia de covid-19, o aumento da participação era visto com bons olhos já ao princípio da tarde.

Às 13.00, a participação era de 28,43%, um aumento de 2,25 pontos percentuais, e havia longas filas para votar, que continuaram a ser uma realidade da parte da tarde. Mais de cinco milhões de madrilenos foram chamados a fazê-lo em 1084 locais de votação.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG