Em dia de novos ataques dos EUA a alvos do Irão e da respetiva retaliação, o presidente norte-americano deixou cair a ideia de impor taxas aos navios que cruzassem o estreito de Ormuz. E Netanyahu, primeiro-ministro israelita, lançou uma advertência a Teerão.Mais um anúncio de Donald Trump, mais uma reviravolta horas depois. Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos havia dito que o seu país iria passar a cobrar 20% do valor da carga de cada navio que atravessasse o estreito de Ormuz, no que seria um corte com a política norte-americana e sustentada com recentes declarações do chefe da diplomacia, Marco Rubio. Na terça-feira, a cinco horas da entrada em vigor da taxa — de pronto criticada pela Organização Marítima Internacional —, Trump disse que a substituiu por “acordos comerciais e de investimento que os diferentes estados do Golfo celebrarão com os EUA”, escreveu na rede Truth Social. .Irão desvaloriza anúncio de Trump sobre regresso do bloqueio naval.No ano passado, no final da viagem à Arábia Saudita, Qatar e Emirados, a Casa Branca anunciou que estes países se comprometeram em investir dois biliões de dólares na economia norte-americana. Até hoje, porém, não há notícia de investimentos concretos além daquele firmado na altura pelo emir do Qatar e relativo à encomenda de 160 aviões Boeing por 200 mil milhões de dólares. “Não acho que alguém devesse poder cobrar uma taxa”, disse Trump aos jornalistas, depois de ter anunciado exatamente isso na véspera. “Não gosto da ideia de uma taxa, mas ao mesmo tempo, não é justo estarmos a proteger este estreito para o mundo inteiro.” O presidente dos EUA disse que a solução foi proposta por “reis e emires” e outros líderes. “Disseram que adorariam fazer de outra forma. Adorariam investir nos Estados Unidos milhares de milhões de dólares”, contou.As operações militares dos Estados Unidos continuaram com bombardeamentos de uma escala inédita desde o cessar-fogo de abril. O Comando Central dos EUA informou ter atingido alvos militares em todo o Irão, nomeadamente nas cidades portuárias de Bushehr e Bandar Abbas, com o objetivo de “reduzir a capacidade do Irão de atacar o tráfego marítimo comercial”. Mais tarde, meios de comunicação iranianos reportaram novos ataques em Bushehr e explosões nas ilhas de Qeshm e de Kish. O facto de estes ataques terem decorrido depois do comunicado dos EUA levou à especulação de que os estados árabes visados pelo Irão tenham retaliado, embora sem admiti-lo.Como tem sido habitual após uma ronda de ataques norte-americanos, as forças iranianas ripostam contra alvos nos países vizinhos. Desta vez, foi o Bahrein, a Jordânia e o Koweit. Além disso, foram atingidos três petroleiros. Em dois deles, Mombasa e Al Bahiyah, eclodiram incêndios, tendo a Organização Marítima Internacional dito que nos dois navios ligados aos Emirados morreram dois tripulantes e outros 14 ficaram feridos. No terceiro navio, Stolt Magnesium, de empresa dinamarquesa, também se registou um incêndio na sala das máquinas, mas não houve vítimas.Do lado israelita, e perante o memorando de entendimento iraniano-norte-americano em farrapos, o primeiro-ministro quebrou o silêncio. “Tenho uma mensagem para os líderes do Irão: se nos atacarem não contem com calma”, disse Benjamin Netanyahu. “Não esperem uma repetição do que aconteceu, porque não haverá. A resposta anterior foi suficientemente poderosa, mas qualquer nova tentativa de nos prejudicar será recebida com uma resposta diferente, muito mais poderosa.”Guia de marcha do IraqueAo receber o primeiro-ministro iraquiano Ali al-Zaidi na Casa Branca, o presidente dos EUA anunciou que as tropas do seu país irão sair do Iraque até 30 de setembro. “Achamos que as forças militares não são mais precisas lá”, disse Trump.Revés para os civisAs hostilidades renovadas entre os EUA e o Irão constituem um “enorme revés para os civis na região e além”, afirmou Volker Türk, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. “Isso mina os esforços de paz e aprofunda a instabilidade, com riscos graves para os direitos humanos em toda a região”, disse num comunicado. Türk apelou ainda para o fim das ataques a infraestruturas civis, bem como às hostilidades no estreito de Ormuz.Troféu de participaçãoO coletivo artístico Secret Handshake instalou uma estátua com a forma de um troféu no parque National Mall, na capital dos EUA. “Concedemos ao presidente Donald J. Trump este troféu de participação pelo seu entusiástico envolvimento na guerra do Irão”, lê-se na placa na base da estátua. “Enquanto alguns se preocupam com estratégia militar, diplomacia ou resultados que se possam medir, o presidente Trump mostrou coragem e participou independentemente do resultado final.” Anteriores criações artísticas incluem uma estátua com as imagens de Trump e de Jeffrey Epstein de mãos dadas.Israel e Líbano em negociaçõesNo primeiro dos dois dias da sexta ronda de conversações entre as delegações do Líbano e de Israel, em Roma, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita Gideon Saar disse que o seu país está pronto para avançar na aplicação das duas zonas-piloto no sul do Líbano, nas quais as forças israelitas irão retirar-se em favor das tropas libanesas.