Como tem sido habitual no processo de negociações entre Estados Unidos e Irão, o presidente norte-americano fez um anúncio que foi de pronto desmentido por Teerão. No caso, Donald Trump escreveu na sua rede social que “o Irão solicitou uma reunião”, a qual terá lugar esta terça-feira, em Doha, capital do Qatar. Todavia, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano disse que o encontro só acontecerá quando estiverem reunidas as condições. “Embora continuem como de costume as consultas com o Qatar, incluindo o acompanhamento da aplicação dos compromissos da outra parte, não se pode confirmar a notícia de alguns meios de comunicação de que as conversações técnicas dos grupos de trabalho vão decorrer em Doha”, disse Kazem Gharibabadi. Do lado norte-americano a certeza de que o mesmo se concretiza é tal que a porta-voz da Casa Branca anunciou que da sua parte vão os enviados Jared Kushner e Steve Witkoff (genro e amigo de Donald Trump, respetivamente). O processo diplomático de 60 dias previsto no memorando de entendimento assinado no dia 17 sofreu um revés nos últimos dias. O Irão, que ambiciona cobrar taxas aos navios comerciais que transitem pelo estreito de Ormuz, fez saber pelos Guardas da Revolução que não aceita outras rotas através daquela via marítima além daquelas sob o seu controlo. Essa rejeição foi materializada no disparo contra navios que passavam por rotas não autorizadas por Teerão. Em retaliação, os EUA lançaram ataques contra posições iranianas perto da via navegável, ao que o Irão retrucou com ataques de mísseis e drones contra bases norte-americanas no Bahrein e no Koweit. Mas a mensagem do presidente dos Estados Unidos prova que há uma vontade de baixar as tensões e de voltar à mesa.Ainda relacionado com o controlo do estreito de Ormuz, Gharibabadi rejeitou o interesse manifestado pela França em coordenar uma missão de desminagem, ao afirmar que essa é uma responsabilidade do seu país. O presidente Emmanuel Macron recebeu o sultão Haitham bin Tarik no Eliseu. “Decidimos colaborar, juntamente com os nossos parceiros, na remoção de minas do estreito, para garantir as rotas marítimas e assegurar a passagem livre e incondicional pelo Estreito de Ormuz”, comunicou no final da reunião com o líder de Omã. Mas o número dois da diplomacia iraniana discorda: “A situação é sensível e complexa. Aconselhamos fortemente que a França não a complique ainda mais com as suas provocações.”O dia ficou ainda marcado com o anúncio, por parte do presidente iraniano Masoud Pezehskian, de que serão devolvidos 6 mil milhões de dólares em ativos congelados no Qatar, de um total de 12 mil milhões.Katz reitera que Israel não retira O ministro da Defesa de Israel disse que o seu país “não tem ambições territoriais no Líbano”, mas vinculou a retirada do território ocupado com o desarmamento do partido-milícia Hezbollah, patrocinado pelo Irão. “As pessoas não devem ficar à espera a pensar de onde será o próximo lugar que Israel vai retirar-se no Líbano, porque isso não vai acontecer até o Hezbollah ser desarmado”, afirmou Israel Katz. Para o ministro israelita, esta tomada de posição está em linha com o acordo assinado entre os embaixador de ambos os países, na sexta-feira. Katz disse ainda ser “era claro que as aldeias xiitas na linha de contacto tinham de desaparecer” para proteger o norte de Israel do Hezbollah.