O guia supremo do Irão tem um plano de fuga para a Rússia caso os protestos em curso no país, iniciados há dez dias, entrem fora de controlo. Ao The Times, uma fonte dos serviços secretos britânicos garantiu que Ali Khamenei, de 86 anos, tem tudo preparado para se escapar para Moscovo, tal como há pouco mais de um ano o sírio Bashar al-Assad — e aliado da República Islâmica — fugiu de Damasco. A mesma fonte disse que até 20 familiares e assessores fazem parte da comitiva, caso a frase da ordem “Morte ao ditador”, ouvida nos protestos, não seja silenciada pela repressão das forças da ordem. “O ‘plano B’ destina-se a Khamenei e ao seu círculo muito próximo de colaboradores e familiares, incluindo o seu filho e herdeiro aparente nomeado, Mojtaba”, disse a fonte ao jornal. Até agora, a dimensão dos protestos não é comparável à revolta causada em 2022 pela morte de Mahsa Amini, a jovem curda que morreu às mãos da polícia da moralidade quando não estaria a cumprir as imposições do código de vestuário. Então o movimento Mulher, Vida, Liberdade, formado essencialmente pela juventude, tomou as ruas das principais cidades e foi reprimido com milhares de detenções e cerca de 500 mortos. Agora, os grupos de direitos humanos apontam para a morte de mais de 20 pessoas num protesto que nasceu do agravamento das condições de vida e que começou por unir comerciantes e outros trabalhadores, aos quais se juntaram os estudantes. Segundo o canal noticioso do movimento de ativistas pelos direitos humanos no Irão (HRANA), registaram-se até agora protestos em 26 das 31 províncias do Irão, e mais de mil manifestantes foram presos..Trump ameaça atacar Irão para "socorrer" manifestantes. Teerão já respondeu.As reiteradas declarações do presidente dos Estados e do primeiro-ministro de Israel em favor dos manifestantes adicionam mais sal a uma ferida aberta. Teerão acusou Israel de tentar minar a sua unidade nacional, depois de Benjamin Netanyahu ter expressado apoio aos protestos. “O regime sionista está determinado a aproveitar a mínima oportunidade para semear a divisão e minar a nossa unidade nacional, e devemos manter-nos vigilantes”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baqaei. As críticas estenderam-se aos norte-americanos: uns e outros foram acusados de “incitarem à violência”. No domingo, depois de o Irão ter reagido à primeira ameaça de Trump, este voltou à carga: “Estamos a observar muito de perto. Se começarem a matar pessoas como fizeram no passado, penso que serão severamente atingidos pelos Estados Unidos”, advertiu. Já Netanyahu, perante os deputados, voltou a solidarizar-se com o povo iraniano, disse que este pode ser “o momento em que os iranianos tomam o seu destino pelas próprias mãos”. E quanto ao regime liderado por Khamenei, afirmou que Israel e os EUA não permitirão que o Irão volte a desenvolver os programas de mísseis balísticos, e “menos ainda” o programa nuclear. Sem aliados na região, e a atravessar uma profunda crise económica, o regime instaurado em 1979 vive um momento único de fragilidade, consequência também da guerra de 12 dias com Israel e os EUA e agora as ameaças de Trump depois de este ter deposto o venezuelano Nicolás Maduro, aliado do Irão. “Estas duas pressões reduziram o espaço de manobra de Teerão, deixando os líderes presos entre a ira pública nas ruas e exigências e ameaças cada vez mais firmes de Washington, com poucas opções viáveis e altos riscos em todos os caminhos”, comentou um funcionário iraniano à Reuters, no que foi secundado por mais três fontes iranianas.