Primo da Rainha Isabel II "apanhado" a vender acesso ao Kremlin

Michael de Kent negou e disse que o seu gabinete não tem contacto com Putin há 18 anos.

DN
© Michael de Kent

Um primo da Rainha Isabel II de Inglaterra, o Príncipe Michael de Kent, foi apanhado a oferecer acesso ao Kremlin e a Vladimir Putin em troca de ganhos pessoais.

De acordo com uma investigação do Sunday Times e do Channel 4, o Príncipe de 78 anos estava disposto a usar o seu estatuto real para interceder junto do regime de Vladimir Putin.

O primo da rainha foi filmado numa reunião com alegados investidores da Coreia do Sul, que na verdade eram jornalistas disfarçados, onde refere que pode ser contratado para fazer representações "confidenciais" no Kremlin.

Uma representação privada junto de Putin custava 11 500 euros, uma viagem de negócios de cinco dias a Moscovo 70 mil euros e uma mensagem gravada com a sua casa no Palácio de Kensington como pano de fundo, 156 mil euros.

A assessoria de Michael de Kent negou em comunicado que ele tivesse um "relacionamento especial" com o presidente russo e disse que há quase 18 anos que o seu gabinete não tem contacto com Putin.

No entanto a reportagem conta com o testemunho do sócio, Lord Reading, que chamou o príncipe de "embaixador não oficial de Sua Majestade na Rússia". Mais tarde, num mail enviado à estação de televisão pediu desculpa pelo termo usado. E em comunicado, o seu porta voz esclareceu: "Como é prática normal, o secretário particular do Príncipe Michael deixou claro aos representantes da empresa durante as suas conversas que nada poderia acontecer sem o acordo da embaixada britânica e a ajuda da Câmara de Comércio Russo-Britânica, da qual o Príncipe Michael é patrono."

O Príncipe não é membro ativo da Família Real (não recebe dinheiros públicos), mas já representou a Rainha no passado. No site da Família Real há uma biografia que descreve o príncipe como estando "ligado à Rússia por intermédio da sua avó materna" e como tendo "um forte interesse pelo país".

O texto refere ainda que ele "se tornou o primeiro membro da Família Real a aprender russo, qualificando-se como intérprete de russo". O príncipe de 78 anos foi condecorado com a Ordem da Amizade da Rússia em 2009, quando Putin era primeiro-ministro.

As acusações prometem ser embaraçosas. Londres e Moscovo vivem um momento desastroso de relações institucionais, após o envenenamento em 2018 de um ex-espião russo na Inglaterra.

"Royals for Hire" é transmitido na segunda-feira no Canal 4.