Japão apela a "paragem imediata" de exercícios militares chineses

Mísseis balísticos chineses caíram em águas de Zona Económica Exclusiva do Japão

DN/AFP

O ministro das Relações Exteriores do Japão, Yoshimasa Hayashi, apelou esta quinta-feira a uma "paragem imediata" dos exercícios militares da China em torno de Taiwan, lançados depois de a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, ter visitado a ilha nesta semana.

"As ações da China desta vez têm um sério impacto na paz e na estabilidade da região e da comunidade internacional. Mais uma vez, exijo a interrupção imediata desses exercícios militares", disse Hayashi a repórteres em Phnom Penh, no Camboja, onde participa numa reunião do Associação das Nações do Sudeste Asiático.

As declarações do chefe da diplomacia japonesa surgem depois de o ministro da Defesa japonês, Nobuo Kishi, ter afirmado que mísseis balísticos disparados pela China terão caído na zona económica exclusiva (ZEE) do Japão.

"Acredita-se que cinco dos nove mísseis balísticos lançados pela China tenham pousado na ZEE do Japão", afirmou aos jornalistas, numa altura em que a China realizava exercícios militares de grande escala nas águas ao torno de Taiwan.

O Japão "fez um protesto à China através de canais diplomáticos", revelou Kishi, apelidando o assunto de "um problema sério" que afeta a segurança nacional e dos cidadãos japoneses.

Partes da região insular mais ao sul do Japão, Okinawa, ficam perto de Taiwan.

Kishi disse que foi a primeira vez que mísseis balísticos chineses caíram na zona económica exclusiva do Japão.

A ZEE nipónica estende-se até 200 milhas náuticas da costa do Japão, além dos limites das suas águas territoriais.

O número de nove mísseis disparados foi uma avaliação por parte das autoridades japonesas, salientou Kishi.

As forças armadas chinesas dispararam esta quinta-feira "múltiplos mísseis balísticos" nas águas que circundam a ilha de Taiwan, disse o Ministério da Defesa de Taipei, condenando "ações irracionais que minam a paz regional".

22 caças chineses sobrevoaram linha mediana do Estreito de Taiwan

A China enviou 22 caças que sobrevoaram brevemente pela "linha mediana" que desce o Estreito de Taiwan, disse o Ministério da Defesa de Taipei no seu último briefing sobre os exercícios militares de larga escala realizados pelas forças de Pequim.

O Ministério da Defesa Nacional disse que "sistemas de mísseis de defesa aérea" foram implantados para rastrear os jatos e alertas de rádio foram transmitidos.

Antes, o Ministério da Defesa nacional já anunciara que "o Partido Comunista Chinês disparou vários mísseis balísticos 'Dongfeng' nas águas circundantes do nordeste e sudoeste de Taiwan às 13:56 [06:56 em Lisboa]". Os militares taiwaneses não adiantaram o local exato onde os mísseis caíram.

O Exército Popular de Libertação da República da China também confirmou o lançamento de mísseis, explicando ter-se tratado de "um ataque com mísseis convencionais multirregionais e de vários modelos em águas predeterminadas da parte leste da ilha de Taiwan".

Segundo adiantou um responsável, "todos os mísseis atingiram o alvo com precisão".

A televisão estatal chinesa, a CCTV, já tinha anunciado, esta manhã, que a China ia dar início a exercícios militares, com fogo real, nas imediações de Taiwan, acrescentando que a operação irá durar até domingo.

As manobras militares surgem em resposta à visita a Taiwan da líder do Congresso dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, vista pela China como uma grave provocação. O Governo chinês respondeu nos últimos dias com sanções económicas a Taiwan.

Washington tem também um porta-aviões e outro equipamento naval na região.

O início das manobras militares da China levou o Ministério da Defesa de Taiwan a afirmar que se está a preparar para a guerra.

Pequim reclama a soberania sobre a ilha e considera Taiwan uma província separatista desde que os nacionalistas do Kuomintang se retiraram para a ilha em 1949, depois de perderem a guerra civil contra os comunistas.