Alemanha está a viver "uma pandemia massiva de não vacinados"

Não vacinados encontram-se na origem da quarta vaga pandémica que assola a Alemanha e que está a esgotar as camas de UCI em algumas regiões. País pondera novas restrições.

A Alemanha está a viver uma pandemia "massiva" de não vacinados, disse Jens Spahn, Ministro da Saúde alemão, esta quarta-feira (03 de novembro) receando que a pandemia ganhe ainda mais força através de quem escolheu não se vacinar contra a Covid-19.

A quarta vaga está a atingir o país "com uma violência excecional".

"Nós estamos a experienciar uma pandemia essencialmente nos não vacinados e de uma forma massiva", disse aos jornalistas, alertando que "em algumas regiões da Alemanha as camas nos serviços de cuidados intensivos estão a esgotar-se".

Com a pandemia a voltar a números que já não se registavam desde maio, a Chanceler alemã Angela Merkel revelou-se "muito preocupada" com o aumento do número de casos, destacando que é a favor de um reforço de medidas focadas nas pessoas não vacinadas.

Nas palavras da Chanceler, através do seu porta-voz Steffen Seibert: "Se a situação dos hospitais piorar devido à pandemia... mais restrições para aqueles que não estão vacinados são muito possíveis".

Mais de 66% da população alemã está totalmente vacinada, mas um estudo recente demonstrou que a vasta maioria dos adultos não vacinados não pretendem ser inoculados contra a Covid-19.

"Para os que escolheram não se vacinar, o risco de infeção nos próximos meses é extremamente alto" disse o chefe do Instituto Robert Koch, Lothar Wieler.

Spahn afirmou que nas regiões onde o vírus está a voltar a afetar grande parte da população, o acesso a eventos deveria ser limitado àqueles que estejam totalmente vacinados ou que consigam provar que já recuperaram da doença: sistema que exclui assim os não vacinados.

"Isto não pode ser considerado o bullying da vacinação" , mas sim "a única forma de evitar a rotura do sistema nacional de saúde do país".

Recorde-se que esta nova vaga da Covid-19 surge quando o país se encontra num limbo político após as eleições de setembro, sendo expectável que os Sociais-Democratas - vencedores nas eleições - consigam formar uma coligação governativa até ao início de dezembro. Os parceiros expectáveis de coligação já afirmaram que a vacinação não pode ser obrigatória e novos confinamentos estão fora de questão - pelo menos para os vacinados.

Devido à organização política federal alemã, as regiões têm autonomia para decidir sobre as medidas que pretendem impor - ou não - aos seus habitantes, originando uma autêntica manta de retalhos nas medidas aplicadas ao longo de todo o país, o que não facilita o trabalho do governo central.

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