Exclusivo A transformação do terrorismo: uma história de décadas

1979 trata-se de um ano-chave, porque três acontecimentos-rutura marcaram o mote para a passagem do pan-arabismo para o patamar seguinte, o pan-islamismo.

Para compreendermos a evolução dos grupos terroristas de cariz islâmico nos últimos 20 anos temos que ir lá atrás ao fio do tempo para percebermos como as alterações de políticas e contextos sociais, entre outros, internacionalizaram cada vez mais este fenómeno, ao ponto de ser hoje impossível alguém alegar desconhecimento sobre o mesmo.

É importante ter como pano de fundo a Guerra Fria, enquanto esteira de um mundo bipolar, simplificador de uma perceção da realidade a preto e branco, entre índios e cowboys, entre os bons e os maus. Esse enquadramento, também ele pós-colonial, vê nas dificuldades da construção dos novos Estados e nas lacunas apresentadas nesse processo um caminho fácil para os movimentos e o discurso marxista antiocidental. A criação do Estado de Israel em 1948 alimenta um pan-arabismo de causa justa que vê o seu auge nas décadas de 50/60. O nasserismo egípcio dá-lhe um rosto e projeta-lhe um devir socialista. A luta pela Palestina, no contexto da Guerra Fria, apreciava bom vinho e tinha na crescente paridade homem-mulher uma das suas forças. Em 1980, dos 64 grupos catalogados como terroristas, apenas dois tinham motivações religiosas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG