Irão prepara transição de poder. Vingar morte de Khamenei é um "direito e um dever legítimo", diz presidente

Irão confirma morte de Ali Khamenei, anunciada ontem à noite por Donald Trump na sua rede social. Ataques ao Irão pelos Estados Unidos e Israel continuam neste domingo.
Ataques esta manhã, 1 de março, em Teerão, capital do Irão.
Ataques esta manhã, 1 de março, em Teerão, capital do Irão.EPA

Hamas, Hezbollah, Jihad Islâmica e huthis condenam morte de Khamenei e juram vingança

O Hamas condenou o “crime hediondo” do ataque que matou o ayatollah Ali Khamenei, 86 anos, guia supremo iraniano e apoiante do movimento islamita palestiniano, enquanto o Hezbollah prometeu enfrentar a agressão israelita e norte-americana.

“Nós, no seio do Hamas, lamentamos o desaparecimento do ayatollah Ali Khamenei. Os Estados Unidos e o governo da ocupação fascista [Israel] assumem inteira responsabilidade por esta agressão flagrante e por este crime odioso contra a soberania da República Islâmica do Irão, bem como pelas suas graves repercussões na segurança e na estabilidade da região”, indica um comunicado do movimento.

O Hamas, condenando a “traiçoeira e brutal agressão sionista-americana”, pediu que sejam tomadas “medidas urgentes” a nível internacional para pôr fim aos “crimes” dos Estados Unidos e de Israel na região.

O grupo armado Jihad Islâmica, aliado do Hamas durante os dois anos de guerra com Israel na Faixa de Gaza, classificou a morte de Ali Khamenei como um “crime de guerra” cometido pelos Estados Unidos e por Israel numa “ataque traiçoeiro e mal-intencionado”.

Já o Hezbollah garantiu que vai “enfrentar a agressão” norte-americana e israelita a Khamenei, afirmou, num comunicado, Naim Qassem, líder do movimento libanês pró-iraniano.

“Cumpriremos o nosso dever enfrentando a agressão”, assegurou o chefe do Hezbollah no comunicado, acrescentando: “quaisquer que sejam os sacrifícios, não abandonaremos […] o campo da resistência”. 

O Hezbollah ainda não tinha reagido desde o início da vasta ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

Também os Huthis, no poder no Iémen e aliados do Hamas, lamentaram o “assassínio” de Khamenei, uma figura política e religiosa que classificaram como mártir e cujo legado, afirmaram, inspirará “uma resistência contínua contra os Estados Unidos e Israel”.

“Com profundo pesar e dor, o Conselho Político Supremo recebeu a notícia do martírio do líder da Revolução Islâmica no Irão. Travou uma longa luta de jihad [guerra santa] contra os inimigos da nação islâmica, os sionistas e os norte-americanos, e concluiu a sua vida com o martírio às mãos dos inimigos de Deus e assassinos de profetas”, declarou o Conselho Político Supremo dos huthis.

Os huthis descreveram o ataque como um “crime atroz” e uma “violação flagrante de todas as leis e normas internacionais”.

“Isto representa a continuação da agressão injusta contra a nação islâmica e os seus lugares sagrados. Ao mesmo tempo, afirma que o sangue dos mártires não será em vão e que a vontade revolucionária encarnada pelo mártir continuará a ser uma chama que guiará a nação. O martírio de Ali Khamenei aumentará a força e a determinação do povo iraniano, e o caminho da jihad e da defesa da verdade prosseguirá sem recuo”, acrescentaram.

Lusa

PEV exige que Governo rejeite utilização das Lajes em ações militares fora da NATO

O Partido Ecologista “Os Verdes” exigiu este domingo ao Governo que rejeite a utilização da Base das Lajes, nos Açores, para ações militares fora do quadro da NATO, condenando os ataques dos Estados Unidos e Israel no Irão.

“Os Verdes exigem da parte do Governo a recusa absoluta em compactuar com esta grave violação do direito internacional, desde logo, rejeitando a utilização da base das Lajes com vista a ações militares fora do quadro da NATO, ao arrepio dos acordos bilaterais de cooperação e defesa vigentes entre Portugal e EUA”, lê-se num comunicado do PEV com as conclusões do Conselho Nacional do partido, que se reuniu no sábado.

Sobre os bombardeamentos dos EUA e Israel no Irão, os Verdes consideram “que este ato de agressão que terá atingido várias áreas da capital do Irão e que terá vitimado dezenas de civis e infraestruturas como escolas, merecem a mais forte condenação”.

No plano da política internacional, o PEV manifesta preocupação com “as pretensões da administração Trump” e lamenta a “figura triste do Governo PSD/CDS que ainda ponderou a sua presença como observador” no Conselho da Paz do Presidente norte-americano.

Lusa

Putin lamenta morte "cínica" de Ali Khamenei

O presidente russo Vladimir Putin pronunciou-se sobre a morte de Ali Khamanei classificando-a como uma "cínica" violação das normas do direito internacional.

Numa nota libertada pelo Kremlin, dirigida ao presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, Vladimir Putin afirma, segundo a agência Reuters: "Por favor, aceite as minhas mais profundas condolências pelo assassinato do Líder Supremo da República Islâmica do Irão, Seyed Ali Khamenei, e de membros da sua família, cometido numa violação cínica de todas as normas da moral humana e do direito internacional".

Vingar morte de Khamenei é um "direito e um dever legítimo", diz presidente iraniano

O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou este domingo que vingar a morte do líder supremo, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, era um “direito e um dever legítimo” para a República Islâmica.

Ali Khamenei, 86 anos, foi morto no sábado em Teerão no início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, que continuaram este domingo, 1 de março.

Pezeshkian considerou que a morte de Ali Khamenei constituía uma “declaração de guerra contra os muçulmanos e, em particular, contra os xiitas em todo o mundo”, referiu num comunicado divulgado pela televisão estatal.

Justificou tratar-se da “mais alta autoridade política da República Islâmica do Irão e de um eminente líder do xiismo no mundo”, acrescentou na mesma nota citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Lusa

Centenas de manifestantes tentam invadir embaixada dos EUA no Iraque

Centenas de manifestantes tentaram este domingo invadir a zona de alta segurança que abriga a embaixada dos Estados Unidos em Bagdade, depois da confirmação da morte do líder supremo iraniano. Ali Khamenei.

"As tentativas foram frustradas até agora, mas continuam a tentar" romper o cordão de segurança, disse uma fonte de segurança em declaraçês à AFP.

Manifestantes, alguns deles empunhando bandeiras de grupos armados pró-iranianos, atiraram pedras contra as forças de segurança, que responderam com granadas de gás lacrimogéneo, observou a agência.

A imprensa local noticiou outras manifestações em províncias do sul do Iraque.

Vários grupos armados iraquianos apoiados pelo Irão declararam no sábado que não permaneceriam "neutros" e que defenderiam a República Islâmica.

Entre eles, o poderoso grupo Kataëb Hezbollah anunciou que atacaria bases norte-americanas em resposta à morte, no sábado, de dois dos seus combatentes em ataques aéreos no sul do Iraque.

No início da manhã de domingo, fortes explosões foram ouvidas perto do aeroporto de Erbil, que acolhe tropas da coligação liderada pelos Estados Unidos na região autónoma do Curdistão iraquiano, testemunhou um jornalista da AFP, que viu uma espessa nuvem de fumo preto a subir da zona do aeroporto.

Pouco depois, um pequeno grupo pró-iraniano reivindicou ataques com drones contra soldados americanos em Erbil.

No sábado, as forças da coligação liderada pelos Estados Unidos abateram vários mísseis e drones carregados com explosivos sobre Erbil, informaram as autoridades locais.

Lusa

Pelo menos oito mortos em confrontos junto ao consulado dos EUA no Paquistão

Pelo menos oito pessoas morreram este domingo em confrontos com a polícia em Karachi, depois de centenas de manifestantes terem invadido o consulado dos Estados Unidos nesta cidade portuária paquistanesa, segundo as autoridades.

A violência ocorreu quando centenas de pessoas da comunidade xiita tentaram romper o perímetro de segurança das instalações diplomáticas dos Estados Unidos em protesto contra os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão. Além das vítimas mortais, muitas pessoas ficaram feridas nos confrontos.

Karachi é a capital da província de Sindh, no sul do Paquistão. O Paquistão, que alberga uma das mais importantes comunidades xiitas do mundo (cerca de 20% da sua população), vê com preocupação a escalada do conflito no Médio Oriente e o impacto que pode ter internamente, temendo que uma nova onda de violência civil abre mais uma frente de desestabilização interna.

Na semana passada, o Governo paquistanês declarou "guerra aberta" contra os talibãs do vizinho Afeganistão.

Lusa

Confrontos em Karachi, junto ao consulado dos Estados Unidos na cidade paquistanesa, no 1 de março.
Confrontos em Karachi, junto ao consulado dos Estados Unidos na cidade paquistanesa, no 1 de março.Foto: REHAN KHAN/EPA

Exército israelita reivindica morte de líder supremo Ali Khamenei

O exército israelita reivindicou este domingo a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, nos bombardeamentos no sábado que deram início à nova guerra contra o Irão em colaboração com os Estados Unidos.

“Ali Khamenei foi alvo de uma operação precisa e de larga escala levada a cabo pela Força Aérea Israelita”, assegurou o exército de Israel num comunicado citado pela agência de notícias espanhola EFE.

A força aérea foi “guiada por informações de inteligência detalhadas” e Ali Khamenei foi visado quando “se encontrava no seu complexo de comando central no coração de Teerão, juntamente com outros altos oficiais”.

“Khamenei foi o arquiteto do plano para destruir o Estado de Israel e era conhecido como a ‘cabeça do polvo iraniano’, estendendo os seus braços por todo o Médio Oriente e pelas fronteiras do Estado de Israel”, disseram os militares.

O exército israelita congratulou-se por ter posto “fim a um capítulo de décadas”, uma vez que a morte de Khamenei se soma a uma série de ataques anteriores para eliminar chefes de milícias do chamado “Eixo de Resistência” iraniano.

Lusa

Processo de transição do poder após morte de Khamanei começa imediatamente

O processo de transição no Irão em consequência da morte do líder supremo Ali Khamenei terá início ainda este domingo, anunciou o principal responsável pela segurança do país, Ali Larijani.

"Um conselho de direção provisório será formado em breve. O Presidente, o chefe do poder judicial e um jurista do Conselho dos Guardiães assumirão a responsabilidade até a eleição do próximo líder", disse Larijani, chefe do órgão de segurança mais alto do Irão, o Conselho Supremo de Segurança Nacional, e ex-conselheiro de Ali Khamenei.

"Este conselho será criado assim que possível. Estamos a trabalhar na sua formação a partir de hoje", acrescentou, alertando contra "tentativas de divisão" entre o poder iraniano.

Um conselho formado pelo Presidente do Irão, Masud Pezeshkian, pelo chefe do poder judiciário, Golamhosein Mohseni Eyei, e por um jurista do Conselho dos Guardiães assumirá a liderança do país após a morte do ayatolla Ali Khamanei.

Os três responsáveis assumirão o "período de transição" resultante da morte de Ali Khamanei nos ataques dos Estados Unidos e de Israel, após 36 anos no poder, informou a agência estatal iraniana, IRNA.

Lusa

Ataques matam Chefe do Exército e decapitam liderança militar

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, Abdolrahim Moussavi, foi morto juntamente com outros generais de alta patente durante os ataques norte-americanos e israelitas contra o país, informou este domindo a televisão estatal iraniana.

A televisão citou o nome de Moussavi entre os altos funcionários mortos no sábado, juntamente com o ministro da Defesa, o chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, e Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo e secretário do Conselho de Defesa.

A emissora precisou que foram mortos "durante uma reunião do Conselho de Defesa", acrescentando que outros nomes serão anunciados posteriormente.

Lusa

Forte explosão no centro de Teerão após Israel anunciar ataques na capital

Uma explosão de grandes dimensões abalou este domingo a capital do Irão, no momento em que o exército israelita afirmou estar a atingir o “coração de Teerão”.

A deflagração lançou uma enorme coluna de fumo sobre os céus de Teerão e fez estremecer o solo, segundo a agência de notícias norte-americana The Associated Press (AP).

Não foi imediatamente claro qual seria o alvo, mas a explosão pareceu centrada num bairro que acolhe o quartel-general da polícia e a televisão estatal iraniana.

O exército israelita confirmou que estava a realizar ataques contra alvos no centro de Teerão.

Nas últimas 24 horas, “a Força Aérea israelita realizou ataques de grande escala para estabelecer a superioridade aérea e abrir caminho para Teerão”, acrescentaram os militares, citados pela agência francesa AFP.

Lusa

Regime decreta 40 dias de luto e sete feriados pela morte de Ali Khamenei

O Irão decretou este domingo um período de luto de 40 dias, bem como sete dias feriados, após a morte, aos 86 anos, do líder supremo da República Islâmica, Ali Khamenei, no poder desde 1989.

"Com o martírio do líder supremo, o seu caminho e a sua missão não serão perdidos nem esquecidos; pelo contrário, serão prosseguidos com mais vigor e zelo", declarou um apresentador da televisão estatal.

Os Guardas da Revolução iranianos, tropa especial do ayatolla, prometeram uma "punição severa" aos "assassinos" do líder supremo, cuja morte foi confirmada anteriormente pela televisão estatal.

Num comunicado, os Guardas condenaram "os atos criminosos e terroristas cometidos pelos governos maléficos dos Estados Unidos e do regime sionista", acrescentando: "A mão vingativa da nação iraniana não os deixará em paz até infligir aos assassinos do imã da Oumma um castigo severo e decisivo do qual eles arrependerão".

Lusa

Televisão iraniana anuncia morte de Ali Khamenei

Um apresentador da televisão estatal iraniana anunciou este domingo, 1 de março, às 05h00 locais (01h30 TMG), em lágrimas, a morte do ayatolla Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica do Irão, que estava no poder há 36 anos.

A televisão iraniana não especificou em que circunstância Ali Khamenei faleceu aos 86 anos, nem mencionou os ataques israelitas e americanos de sábado contra a sua residência em Teerão. Fotos e imagens de arquivo são transmitidas com uma faixa preta no ecrã em sinal de luto.

"Com o martírio do líder supremo, o seu caminho e a sua missão não serão perdidos nem esquecidos; pelo contrário, serão prosseguidos com mais vigor e zelo", declarou um apresentador da televisão estatal.

À medida que surgiram notícias sobre a morte do líder religioso, testemunhas oculares em Teerão disseram à Associated Press que alguns residentes estavam a comemorar, a apitar e a gritar.

Este sábado à noite Donald Trump escreveu ontem na rede social Truth Social que "Khamenei está morto", confirmando a morte do líder supremo do Irão. "Khamenei, uma das pessoas mais cruéis da História, está morto", inicia Trump a publicação. "Isto não é apenas Justiça para o povo do Irão, mas para todos os Grandes Americanos, e para as pessoas de muitos Países por todo o Mundo, que foram mortas ou mutiladas por Khamenei e pelo seu bando de BANDIDOS sedentos de sangue. Ele foi incapaz de evitar a nossa Inteligência e os nossos Sistemas de Rastreio Altamente Sofisticados e, trabalhando em estreita colaboração com Israel, não houve nada que ele, ou os outros líderes que foram mortos juntamente com ele, pudessem fazer", prossegue.

Os Estados Unidos e Israel iniciaram ontem, sábado, 28 de fevereiro, um ataque ao Irão na sequência de negociações para pôr termo ao programa nuclear iraniano. O Irão respondeu com mísseis contra alvos em Israel e a bases militares norte-americanas em vários países do Médio Oriente.

Com Lusa

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