Minuto de silêncio abriu a cerimónia num "lugar de memórias negras"

As cerimónias do 20.º aniversário dos ataques começaram com um minuto de silêncio no memorial de Manhattan. Joe Biden e Barack Obama reviveram os momentos de horror dessa manhã de 2001.

Num dia soalheiro, tal como era há 20 anos, os familiares das vítimas do 11 de setembro em Nova Iorque prestam tributos emocionados num "lugar de memórias negras", como disse Mike Low, pai de uma hospedeira de bordo.

O Memorial e Museu do 11 de setembro, que vieram substituir, em 2011 e 2014, as Torres Gémeas, em Nova Iorque, é o sítio onde todos os anos se juntam as famílias de luto.

A praça, fechada ao público e apenas para familiares, autoridades locais e nacionais, trabalhadores do museu e imprensa, onde a Lusa esteve presente, enche-se como só nos aniversários dos atentados que mataram, no total, 2.977 pessoas nos Estados Unidos, além dos 19 terroristas responsáveis.

O presidente dos EUA e a primeira-dama, Joe e Jill Biden, chegaram e, sem pressas, falaram com algumas das pessoas que estavam à espera. Michelle e Barack Obama juntaram-se momentos depois.

O hino dos EUA deu o sinal de partida das cerimónias, por volta das 8:43 (13:43 na hora de Lisboa), com o canto de jovens do Coro Young People's Chorus of NYC e uma 'performance' pela Guarda de Honra, com membros do departamento de bombeiros da cidade (FDNY), departamento da polícia (NYPD) e Port Authority Police Department (PAPD).

Depois de um toque de sino e um minuto de silêncio, às 8:46, para assinalar a primeira colisão do avião na Torre Norte, Mike Low, pai da hospedeira de bordo no avião sequestrado, foi o primeiro a dar início à leitura de todos os 2.983 nomes que viriam a ser lidos ao longo da manhã.

"A minha memória volta sempre" à tragédia, declarou o pai. "Nos últimos 20 anos, eu e a minha família vivemos em descrença e com saudades. (...) É um lugar de memórias negras", acrescentou Mike Low, referindo-se ao lugar onde hoje decorrem as cerimónias.

Os nomes gravados nos painéis laterais seguram flores e pequenas bandeiras dos Estados Unidos. Bandeiras da polícia norte-americana, uma versão a preto e branco da bandeira nacional, com uma linha azul no centro, marcam os nomes daqueles que deram a sua vida a tentar salvar outros.

Sem ruído, os familiares prestam tributos também através de cartazes com os nomes e fotografias de quem nunca tiveram oportunidade de se despedir. As fotografias das vítimas, essas todas com sorrisos. Dão-se abraços.

"Tio, temos saudades tuas e amamos-te como nunca poderias imaginar", dizem familiares que vão ao palco.

Em toda a cidade, o toque de sinos das igrejas ocorre seis vezes ao longo da manhã, para assinalar cada um dos desenvolvimentos trágicos no dia 11 de setembro, como colisão de aviões com edifícios e queda das Torres Gémeas.

Cada toque de sinos é solenemente seguido por um minuto de silêncio. Com milhares de pessoas presentes, o silêncio é ensurdecedor e traduz uma enorme dor partilhada.

Hadsoula Matias, irmã de um trabalhador do World Trade Center, declarou: "Milhares de nós tornaram-se membros de um clube em que nunca nos inscrevemos", o das famílias que perderam pessoas.

"Desconhecidos, amigos e família, todo o país parecia estar com o braço à volta dos nossos ombros", disse Hadsoula Matias, lembrando o carinho pelas famílias em luto. "Agradecemos as vossas orações".

Em toda a cidade, são vários os monumentos e instituições que marcam o aniversário com iniciativas próprias.

Quatro aviões comerciais, com centenas de passageiros a bordo, foram sequestrados por um grupo de 19 terroristas, no dia 11 de setembro de 2001, e foram direcionados para Nova Iorque e Washington.

Dois aviões, separados por 18 minutos, colidiram com as duas Torres Gémeas em Nova Iorque, provocando uma explosão de grandes dimensões e matando 2.753 pessoas.

A sede do Departamento de Defesa dos EUA, conhecida como Pentágono, em Washington, também foi alvo de ataque com um avião, num acidente em que morreram, segundo o Museu 9/11, 184 pessoas.

Outras 40 pessoas morreram no acidente do quarto avião, que caiu em Shanksville, no Estado da Pensilvânia.

EUA lembram mortos no Afeganistão em cerimónia no Pentágono

A cerimónia para recordar as 184 vítimas do ataque contra o Pentágono em 11 de setembro de 2001 serviu também para recordar os 2461 sodados norte-americanos que morreram no Afeganistão, durante os 20 anos de conflito.

Lloyd Austin, secretário de Defesa dos Estados Unidos, e Mark Milley, chefe do Estado-Maior, discursaram neste evento em frente ao prédio do Pentágono, em Arlington (Virgínia), lembrando o vigésimo aniversário dos ataques de 11 de setembro.

"Como secretário de Defesa e veterano da guerra do Afeganistão, deixem-me enfatizar mais uma vez o quanto devemos a todos os que lutaram e morreram servindo o nosso país no Afeganistão", disse Austin.

O chefe do Pentágono lembrou especialmente os 13 soldados mortos no recente ataque ao aeroporto de Cabul, durante as operações de evacuação do país.

Depois de lembrar as vítimas dos ataques de 11 de setembro nos ataques às Torres Gémeas, em Nova Iorque, e ao Pentágono, bem como aquelas do voo 93 da United Airlines que caiu num campo na Pensilvânia, Austin sublinhou a responsabilidade de defender os valores da democracia.

Milley também referiu os 2.461 militares das Forças Armadas, soldados que morreram no Afeganistão nestes 20 anos de guerra, explicando que os EUA "lutaram incansavelmente para derrotar o terrorismo", e referindo que, à medida que os norte-americanos encerram este "capítulo terrível" da sua história, os homens e mulheres do exército e das agências de segurança e de inteligência continuam a trabalhar para proteger o país de ataques terroristas.

Líderes internacionais lembram vítimas

Os 20 anos sobre os ataques terroristas contra os EUA foram lembrados por líderes de diversos países, que salientam a importância da defesa da liberdade e do combate ao ódio.

"Jamais esqueceremos. Sempre lutaremos pela liberdade", escreveu, na sua conta na rede social Twitter, o presidente francês, Emmanuel Macron, fazendo acompanhar a mensagem de um vídeo de uma bandeira norte-americana na escadaria do Palácio do Eliseu, em Paris.

Em Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prestou homenagem às vítimas dos ataques jihadistas, escrevendo no Twitter que devem ser lembrados "aqueles que perderam as suas vidas" e que se devem "homenagear aqueles que arriscaram tudo para ajudá-los"

"Mesmo nos tempos mais sombrios e difíceis, o melhor da natureza humana pode brilhar. A União Europeia pode brilhar. Devemos apoiar os Estados Unidos para defender a liberdade e a compaixão contra o ódio", acrescentou von der Leyen.

No Reino Unido, a rainha Isabel II prestou homenagem às vítimas dos ataques, assim como àqueles que então começaram a "reconstruir", numa mensagem dirigida ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

"Os meus pensamentos e orações - e os da minha família e do país como um todo - permanecem com as vítimas, sobreviventes e famílias afetadas, bem como com os primeiros que socorreram e resgataram as vítimas", escreveu a soberana de 95 anos.

Na Itália, o presidente, Sergio Matterella, expressou a solidariedade do seu país aos Estados Unidos e aos seus outros aliados "para conter qualquer ameaça terrorista".

Na Suíça, o presidente, Guy Parmelin, sublinhou, numa mensagem no Twitter, "a rejeição incondicional do terrorismo", acrescentando que os ataques de 11 de setembro "mudaram a política em todo o mundo e também tiveram um impacto na vida na Suíça".

Na Alemanha, o porta-voz da chanceler Angela Merkel, Steffen Seibert, prestou homenagem às vítimas dos ataques, escrevendo no Twitter que a Alemanha lembra as vítimas neste vigésimo aniversário da tragédia nos EUA.

Na Austrália, o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, prestou homenagem "às 2977 pessoas que perderam a vida naquele dia", numa mensagem nas redes sociais, em que lembra a importância de nunca dar por garantidas "a nossa paz e a nossa liberdade".

O Governo de Porto Rico realizou um ato comemorativo em memória das vítimas dos ataques terroristas de 11 de setembro, lembrando as 42 vítimas nascidas naquela ilha caribenha.

O governador de Porto Rico, Pedro Pierluisi, foi acompanhado pelos presidentes das duas câmaras do Parlamento, durante as cerimónias.

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