1.º de Maio em Itália. Governo de Meloni corta subsídios anti-pobreza

O governo também facilitou a contratação, pelas empresas, de trabalhadores com contratos de curto prazo, numa reforma laboral imposta por decreto
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O governo de direita em Itália reverteu esta segunda-feira os subsídios anti-pobreza introduzidos há quatro anos, denominados Renda de Cidadania, e que ajudaram cerca de quatro milhões de pessoas no ano passado, numa medida que críticos denunciaram como uma "provocação" neste feriado internacional do Dia do Trabalhador.

A primeira-ministra Giorgia Meloni, que lidera no país a coligação de governo mais à direita desde a Segunda Guerra Mundial, disse que os subsídios de rendimentos serão substituídos por um "cheque de inclusão" mais limitado para famílias qualificadas.

O governo justifica a medida com os elevados custos que os subsídios anti-pobreza tiveram no ano passado, cerca de 8 mil milhões de euros, e pelo facto de estes "desencorajarem pessoas fisicamente aptas, especialmente jovens, a procurar emprego".

Os novos cheques de inclusão, com início previsto para janeiro de 2024, terão um custo anual de cerca de 5,4 mil milhões de euros, e estarão disponíveis apenas para agregados familiares com menores, idosos com mais de 60 anos ou pessoas com deficiência.

Desde que assumiu o cargo em setembro passado, Meloni promoveu cortes de impostos para empresas, ao mesmo tempo em que prometeu restaurar a credibilidade econímica de Itália cortando a dívida contraída mais recentemente durante a pandemia de Covid-19.

"Estamos a reformar a renda dos cidadãos para fazer uma distinção entre os que podem trabalhar e os que não podem", disse Meloni em comunicado.

Numa reforma laboral imposta por decreto neste 1.º de Maio, o governo italiano também facilitou a contratação pelas empresas de trabalhadores com contratos de curto prazo - que os sindicatos denunciam ser uma forma de manter os funcionários em situações económicas precárias - enquanto prometeu incentivos fiscais para empresas que contratem pessoas que beneficiem dos novos cheques de inclusão.

O objetivo é estimular a contratação e encorajar mais jovens a encontrar trabalho na terceira maior economia da zona do euro, onde a taxa de desemprego para jovens de 15 a 24 anos, de 22,4% em fevereiro, é quase três vezes acima da média nacional. (oito por cento).

Entre as medidas do Governo italiano está ainda a redução, até ao final do ano, da carga fiscal aos trabalhadores com rendimentos até 35 mil euros.

"Orgulho-me de que o Governo tenha decidido assinalar o 1.º de Maio com atos e não com palavras e creio que devíamos um novo apoio a uma economia que, apesar de um momento de dificuldade, está a dar-nos grandes satisfações", regozijou-se Meloni, numa mensagem em vídeo para anunciar a medida.

O programa de subsídios anti-pobreza para os cidadãos foi introduzido pelo Movimento Cinco Estrelas (M5S), em 2019, e os seus apoiantes dizem que forneceu ajuda preciosa a milhões de famílias de baixo rendimento, em particular nas regiões empobrecidas do sul.

A agência de segurança social italiana INPS diz que o subsídio beneficiou quatro milhões de pessoas no ano passado, com uma ajuda mensal média de 550 euros.

Os novos cheques de inclusão terão um limite máximo de 500 euros por mês, mas serão oferecidas novas ajudas a agregados familiares com idosos ou deficientes, ou que não tenham casa própria.

"Um governo sério não se reúne no 1º de maio para condenar os jovens a uma vida de precariedade, destruindo o seu sonho de ter uma casa ou filhos", criticou o ex-primeiro-ministro, do Movimento Cinco Estrelas, Giuseppe Conte.

Roberto Fico, um ex-presidente popular da câmara baixa do parlamento, catalogou a medida de Meloni como uma "provocação".

Em comunicado, Meloni defendeu a medida como "um sinal forte para homenagear os trabalhadores neste dia de festa, trazendo-lhes as respostas que esperam".

Milhares de manifestantes do 1º de maio manifestaram-se em todo o país, incluindo Roma, onde alguns atiraram ovos contra prédios do governo, enquanto os sindicatos realizaraam a sua principal manifestação conjunta na cidade de Potenza, no sul do país.

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