Zelensky suspende atividade de partidos ligados à Rússia e é acusado de "dividir" sociedade

O presidente da Ucrânia suspendeu 11 partidos com ligações russas sob pretexto de que "agora todos devem cuidar dos interesses do Estado". A Rússia reage dizendo que foi um "erro".

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou este domingo a suspensão da atividade de vários partidos políticos com ligações à Rússia, numa altura em que está em vigor na Ucrânia a lei marcial.

Num vídeo divulgado esta madrugada na página oficial da Presidência ucraniana na Internet, Zelensky decidiu suspender a atividade de 11 partidos.

O maior dos partidos suspensos é a Plataforma de Oposição pela Vida, que tem 44 das 450 cadeiras no parlamento do país.

O partido é liderado por Viktor Medvedchuk, que tem laços de amizade com o presidente russo, Vladimir Putin, que é o padrinho da filha de Medvedchuk.

Também na lista está o partido Nashi ('Nosso') liderado por Yevheniy Murayev. Antes da invasão russa, as autoridades britânicas tinham avisado que a Rússia queria instalar Murayev como novo líder da Ucrânia.

"Dada a guerra em larga escala travada pela Federação Russa e as ligações de algumas estruturas políticas com este Estado, toda e qualquer atividade de vários partidos políticos é suspensa durante a lei marcial", disse o presidente ucraniano.

O Ministério da Justiça é instruído a "tomar imediatamente medidas abrangentes para proibir as atividades desses partidos políticos da maneira prescrita", acrescentou Zelensky.

"Agora todos devem cuidar dos interesses do nosso Estado", disse o presidente ucraniano.

"Quero lembrar a todos os políticos em qualquer campo: o tempo de guerra mostra muito bem a pequenez das ambições pessoais daqueles que tentam colocar as suas próprias ambições, o seu próprio partido ou carreira acima dos interesses do Estado, dos interesses do povo", disse Zelensky.

Qualquer atividade de políticos "com o objetivo de dividir ou colaborar [com a Rússia] não terá sucesso. Mas terá uma resposta", alertou o líder ucraniano.

A lei marcial foi imposta a 24 de fevereiro, dia em que a Rússia lançou uma ofensiva militar na Ucrânia que causou pelo menos 847 mortos e 1.399 feridos entre a população civil, incluindo mais de 140 crianças, e provocou a fuga de cerca de 5,2 milhões de pessoas, entre as quais mais de 3,3 milhões para os países vizinhos, indicam os mais recentes dados da ONU.

Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

Rússia acusa Zelensky de cometer erro

Após esta decisão, o líder do parlamento federal russo (Duma), Vyacheslav Volodin, acusou Zelensky de dividir a sociedade.

"Zelensky, sendo principalmente um artista e ator, cometeu outro erro: com a sua decisão, dividiu a sociedade", escreveu o presidente da Duma na rede social Telegram, citado pela agência noticiosa russa TASS.

Vyacheslav Volodin lembrou que "existem partidos parlamentares entre os partidos políticos" alvo da medida e defendeu que Zelensky deveria ter dialogado com as formações em causa.

Acusou o Zelensky de demonstrar, com esta decisão, que também não estava na disposição de dialogar com os líderes separatistas de Donetsk e Lugansk, no leste da Ucrânia, cujo pedido de ajuda foi usado pela Rússia para justificar a invasão do país vizinho, em 24 de fevereiro. "Preferiu a guerra a isto [diálogo]", acrescentou.

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