O mercado imobiliário português começa a revelar uma mudança significativa na geografia da procura. Entre 2024 e 2025, dados do Imovirtual apontam para uma redução da procura por compra de habitação nos principais centros urbanos e crescimentos expressivos em vários concelhos do interior.Lisboa registou uma queda de 13,2% na procura e o Porto de 4,3%. A retração é mais pronunciada em concelhos como Vila Nova de Gaia (-29,2%), Cascais (-34,6%) e Sintra (-14,8%), num cenário de preços elevados, menor margem de negociação e maior cautela dos compradores. Em contrapartida, concelhos do interior destacaram‑se com subidas muito acentuadas, como por exemplo Vila Nova de Foz Côa (+135,3%), Alfândega da Fé (+123,3%), Sernancelhe (+106,6%), Murça (+91,9%) e Aljezur (+83,1%).A procura crescente por estes territórios vem acompanhada de correções de preço relevantes, que os tornam mais acessíveis. Em Vila Nova de Foz Côa o preço médio da oferta caiu 32,3% (de 399 mil para 270 mil euros), em Alfândega da Fé houve uma descida de 23,5% (de 85 mil para 65 mil euros), em Sernancelhe a queda foi de 26,5% (de 170 mil para 125 mil euros) e em Murça a correção alcançou 48,3% (de 115 mil para 59.500 euros). Em simultâneo, nos grandes centros os preços médios de venda frequentemente mantêm-se acima dos 300 mil euros e nas áreas emergentes a maioria das pesquisas concentra‑se entre 65 mil e 120 mil euros.Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, afirma que "os dados mostram uma redistribuição clara da procura imobiliária em Portugal. À medida que os preços nos grandes centros se mantêm elevados, começam a ganhar visibilidade concelhos fora do radar tradicional, onde os valores são mais ajustados e existe maior margem de decisão para quem procura comprar casa", conclui.O padrão observado sugere que fatores como preço, qualidade de vida e flexibilidade geográfica estão a ganhar peso nas decisões de compra, abrindo oportunidades em mercados de menor dimensão antes de uma possível intensificação da procura, salienta o estudo do Imovirtual..Comprar casa em Lisboa, Porto e Faro tornou-se um sonho. Taxa de esforço ultrapassa os 50% dos rendimentos