Imobiliário. 56,5% das empresas perdeu negócios contratualizados

Para Francisco Bacelar, presidente da ASMIP, estes resultados fazem antever que um número considerável de empresas acabará por encerrar.
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A compra de casa está a ser adiada, ou mesmo repensada a decisão. A pandemia do novo coronavírus que assola Portugal e a maioria dos países do mundo está a afetar sobremaneira a economia e a bolsa dos cidadãos. Um inquérito aos associados da Associação dos Mediadores Imobiliários de Portugal (ASMIP) conclui que 56,5% das empresas de mediação garante ter perdido todos os negócios contratualizados nas últimas duas a três semanas.

O inquérito revela que 68% das empresas tiveram negócios anulados, com perto de 50% a afirmar que perderam até 10% das operações que fase de conclusão, e a outra metade, entre os 20% e 30%. Os agentes revelam que 46% das escrituras foram anuladas, o que para metade dessas empresas significava um peso na atividade de 100%. O relatório apurou que 69% das escrituras foram anuladas pelos cartórios (32%) e pelos clientes compradores (37%), repartindo-se as restantes entre clientes vendedores e bancos, com 15,5% cada.

85% da atividade parada

Segundo os dados do relatório, a procura de clientes para comprar casa caiu 98,4% desde que iniciou o período de isolamento. A ASMIP adianta ainda que cerca de 33% das empresas de mediação imobiliária estão com a atividade parada, enquanto 52% se encontram a trabalhar apenas a meio termo, concluindo processos que vinham de trás, mas sem acesso a novos clientes e produtos.

A associação alerta que 85% das empresas estão paradas ou com a atividade reduzida. Para já, a situação financeiramente é má, mas estável, sendo que a evolução está dependente do período de paragem.

O inquérito demonstra que 75% das empresas não faz visitas nem angariações, devido ao atual estado de emergência, enquanto percentagem idêntica assume estar em regime de teletrabalho. A faixa de 25% que ainda fez visitas garante que tal só aconteceu em casos muito excecionais, limitadas a uma pessoa, e apenas quando foi para concluir algum processo que já estava em curso. O uso de plataformas multimédia parece não ser uma solução para esta atividade, quando 65% das empresas diz que estes meios não são suficientes para manter o interesse dos clientes na procura de casa.

O estudo permite ainda concluir que apenas 35% das empresas pensa recorrer aos apoios criados pelo Governo, com 38% apenas a equacionar essa possibilidade. Do lado oposto, 27% garante não pensar nessa possibilidade.

Para Francisco Bacelar, presidente da ASMIP, estes resultados fazem antever que um número considerável de empresas acabará por encerrar, naturalmente as menos estruturadas comercialmente, a par com as menos preparadas financeiramente”.

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