Granadeiro."Não foi a PT que fez cair o BES, foi o BES que fez cair a PT"

"Na minha convicção foi tomada no âmbito da PT Portugal", diz Henrique Granadeiro, respondendo à deputada Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, quando questionado sobre a responsabilidade das aplicações fora do âmbito da PT SGPS.
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"200 milhões foram aplicados pela PT SGPS e os outros 600 foram feitos no âmbito da PT Portugal", diz.

"Sobre a PT SGPS eu sempre assumi todas as responsabilidades. Sobre o resto há interpretações de outras pessoas que acham que não podiam ser do âmbito da PT Portugal", diz relembrando a passagem de contratos e da gestão de tesouraria que já estava no âmbito da PT Portugal.

Uma posição diferente da manifestada por Zeinal Bava na mesma comissão de inquérito, que referia que as ditas aplicações tinham sido decididas ainda não tinha a PT Portugal/Oi a gestão de tesouraria.

Relação de Granadeiro com a família Espírito Santo

"Já disse publicamente que o José Manuel Espírito Santo é um irmão adoptivo. Fui tratado pelo pai dele como um filho", disse Granadeiro, respondendo ao deputado do PSD Carlos Abreu Amorim, sobre a relação de familiaridade que tinha com a família Espírito Santo.

"Não cedo da minha capacidade de decidir independentemente para a minha conta de exploração. Tenho a certeza, na minha consciência, que essa relação pessoal que confirmo, que tenha influenciado os negócios", garante Granadeiro.

Relação influenciou a OPA? "Não fiquei refém dos acionistas que me apoiaram na OPA", diz. A "OPA não alterou o meu estilo de relacionamento, nem de decisão", diz.

Exposição da PT ao BES/GES era, em julho de 2014, de 98,35%. Demasiado, quando se sabe que não foi feita a análise da gestão de risco, segundo a auditoria interna e da PwC, diz o deputado do PSD.

"Fazer a história depois, ou o totobola à segunda-feira...", diz Granadeiro, lembrando que nunca tinha havido um alerta, reparo da comissão de auditoria às contas.

"Tive duas reuniões com o Gonçalo Cadete, da Rioforte, que nos garantiu que o cash pooling da Rioforte era gerido pelo banco", diz o ex-gestor da PT.

Zeinal Bava tinha conhecimento de Rioforte? Granadeiro está "convicto" que sim

"Não fui eu que comuniquei nada a Zeinal Bava. A dada altura, aconselhei Ricardo Salgado, a dar uma palavra ao CEO da Oi", diz Granadeiro. Ricardo Salgado terá falado com Bava, segundo disse a Granadeiro.

Na reunião de 10 de julho os administradores da PT SGPS instaram "de forma muito pressionante" Pacheco Mello para saber se as aplicações eram do conhecimento de Zeinal Bava e da Oi. Pacheco Mello, CFO da PT SGPS e da PT Portugal, respondeu: que era esta uma operação recorrente na empresa e que as pessoas que cá tinham estado tinham de ter conhecimento das aplicações no BES/GES, e que no processo de due dilligence feito no âmbito do aumento de capital havia capacidade para saber. Havia apenas dúvidas sobre se as pessoas/empresas estariam a par se era ou não na Rioforte.

A conclusão: "Sabia o CEO da Oi e sabia o CFO da Oi com quem Pacheco Mello andou a fazer o roadshow", no âmbito do aumento de capital, conclui Granadeiro, apoiando-se na ata da reunião do conselho de administração da PT.

"A PT sempre fez aplicações no BES", diz Granadeiro. Não, fez no GES, contrapõe o deputado do PSD. "Não a nossa contraparte era o BES", reforça o ex-gestor.

Nunca teve conhecimento dos problemas da ESI? "Ouvi falar neles, mas nunca os vi a ser transmitidos ao mercado", diz. "Tive conhecimento exclusivamente pelos jornais", diz. "A ESI pagou em fevereiro, com juro, as suas aplicações", refere.

"Para ser franco, completamente franco, o primeiro indício que tive que a coisa podia estar menos alinhada foi quando li o prospeto de aumento de capital do BES e vi os risk factors impostos pela CMVM fizeram pensar", admite Granadeiro, mas nem nessa altura terá falado com Ricardo Salgado.

"O que aconteceu, foi o pior que podia acontecer à minha carreira. Isto destrui a minha carreira. Sinto que fui injustiçado, porque alguém tinha de me dar sinais. Não foi a PT que fez cair o BES, foi o BES que fez cair a PT", diz.

Morais Pires e Joaquim Gois não "cumpriram com os seus deveres de lealdade". "Sinto-me magoado".

(em atualização)

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