Governo diz estar "à espera das propostas do PS" e não exclui ninguém das negociações
RODRIGO ANTUNES/LUSA

Governo diz estar "à espera das propostas do PS" e não exclui ninguém das negociações

"Exclui-se quem se quiser excluir, não é o Governo que está a excluir ninguém", afirmou António Leitão Amaro.
Publicado a
Atualizado a

O ministro da Presidência afirmou esta quarta-feira que o Governo está "à espera das propostas do PS" para prosseguir as negociações do próximo Orçamento do Estado, e recusou que o executivo exclua qualquer partido do processo.

"Exclui-se quem se quiser excluir, não é o Governo que está a excluir ninguém", afirmou António Leitão Amaro, na conferência de imprensa do Conselho de Ministros, questionado sobre as posições do Chega neste processo.

Já sobre o PS, o ministro da Presidência reiterou a visão do ministro dos Assuntos Parlamentares, Pedro Duarte, transmitida na quarta-feira, de que "a bola está do lado do PS" nos próximos passos da negociação Orçamento do Estado para 2025.

"Nós estamos à espera, o PS pediu tempo - tempo que ainda não passou - pediu tempo para preparar ou apresentar propostas, nós estamos à espera do PS e das propostas do PS, tal como outros partidos nos disseram que fariam chegar documentos escritos", afirmou.

Leitão Amaro frisou que, até agora, "todos os partidos apresentaram alguns contributos e ideias, exceto o Partido Socialista".

"Respeitamos a sua opção, mas estamos à espera. A bola, por isso, está do lado do Partido Socialista e quando passar o prazo - que não passou - quando passar o tempo que o PS pediu, a pausa que o PS pediu, o Governo espera poder receber e contactará para receber, para saber o que é que vem dessa bola que o PS agora tem nas suas mãos", afirmou.

A líder parlamentar socialista afirmou hoje que o PS aguarda o contacto do Governo para uma nova reunião sobre o orçamento e que só nesse encontro serão apresentadas propostas, assegurando que o partido mantém a mesma postura desde julho.

Alexandra leitão referiu que aquilo que ficou acordado foi que o seu partido "em cerca de 48 horas estará preparado" e a partir daí aguarda "um convite para uma nova reunião" e que, sem essa marcação, não vai enviar propostas.

André Ventura: "O Governo está a negociar com o PS, logo o Chega está fora destas negociações"

O líder do Chega reiterou esta quarta-feira que o seu partido "está fora das negociações" do próximo Orçamento do Estado porque o Governo continua "a negociar com o PS", e admitiu que só voltaria a negociar um documento novo.

Numa declaração aos jornalistas na Assembleia da República, André Ventura foi questionado sobre as palavras do seu líder parlamentar, que de manhã afirmou que, se o Governo excluir o PS das negociações do próximo orçamento e mostrar disponibilidade para acolher propostas do Chega, o partido está disponível para permitir a sua viabilização.

O líder do Chega reiterou que o seu partido "está fora destas negociações e foi isso que o líder parlamentar também deixou claro", insistindo que "é irrevogável, o Chega está fora destas negociações orçamentais".

"Não há o 'se', o Governo está a negociar com o PS, logo o Chega está fora destas negociações", insistiu, considerando que, como o documento é entregue no parlamento daqui a um mês, "não pode deixar de negociar com o PS, a não ser que refaça o orçamento do Estado todo, o que não é possível".

André Ventura disse que para o Chega voltar a negociar "teria de ser outro orçamento, não este".

"Se o Governo quiser, por pressão do Presidente da República, por outro [motivo] qualquer, e aí vamos ao encontro destas palavras, acabar com este orçamento todo e então começar a construir um outro, bom, isso seria outra coisa, mas não é este orçamento, teria que ser outro, já não era neste tempo, teria que ser num tempo mais para a frente", indicou.

Se forem "iguais aos do PS", no que depender do Chega "não passará".

O presidente do Chega recusou dissonância de posições, defendendo que Pedro Pinto foi ao encontro da posição que tem manifestado nos últimos dias.

No sábado, André Ventura foi questionado sobre o que levaria o Chega de volta à mesa das negociações, e respondeu que o seu partido "não negoceia com partidos que estão a negociar com o PS simultaneamente as medidas do PS" e que "era preciso que o Governo voltasse tudo atrás e dissesse 'afinal não queremos negociar medidas do PS, vamos aceitar negociar medidas à direita contra a corrupção, contra a imigração, legal e ilegal, pela descida de impostos'".

Sobre a reação da ministra da Justiça à fuga de cinco reclusos do Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, André Ventura considerou que Rita Alarcão Júdice falou tarde e "de forma pouco eficaz e apropriada" e argumentou que a governante "conseguiu fazer o que seria impensável, dizer que houve uma cadeia sucessiva de falhas e de erros graves, sem nunca apontar o erro e a falha grave do próprio Estado".

Nesta declaração aos jornalistas, o presidente do Chega foi questionado também sobre o facto de o partido ter rejeitado, a par de PSD e CDS-PP, a realização de um debate sobre a TAP esta tarde, com a presença do ministro das Infraestruturas, na Comissão Permanente da Assembleia da República.

Ventura disse que quer ouvir o ministro no parlamento "num debate com grelha própria, com tempo para responder e com tempo para fazer perguntas, não é no meio de uma comissão permanente, sem nenhum tempo para fazer o escrutínio".

O presidente do Chega defendeu que este "é um assunto demasiado sério" e "as coisas têm que ser feitas com dignidade" e rejeitou que a TAP fosse discutida numa comissão permanente com outros pontos na agenda.

Diário de Notícias
www.dn.pt