Governo "desconhece se Finlândia" vai forçar uma saída limpa

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O Governo português diz que não sabe ainda se a Finlândia apoiará ou não uma saída do programa ajustamento da troika com uma linha cautelar. Segundo Olli Rehn, o comissário europeu da Economia, Helsínquia terá boicotado com exigências duras a saída da Irlanda via cautelar, tendo os irlandeses acabado por optar por uma saída sem seguro.

Hoje, na conferência de imprensa na Presidência do Conselho de Ministros, o ministro Luís Marques Guedes disse que "no caso português a questão não se aplica minimamente porque não houve ainda nenhum contacto do governo português com o governo finlandês".

"Não solicitamos nenhum esclarecimento sobre essa matéria", disse o ministro da Presidência, que tentou relativizar as declarações de Olli Rehn, classificando-as como estando num "contexto de política interna finlandesa". Rehn é candidato ao Parlamento Europeu, por exemplo.

Segundo a Lusa, que citou a Bloomberg, o comissário finlandês disse que "a exigência de colaterais pela Finlândia teve um impacto negativo na decisão da Irlanda e está a ter impacto na decisão de Portugal".

Por isso, "para estes países, na prática, é politicamente mais sensível fazer uma saída limpa do programa, mesmo que isso seja economicamente mais arriscado".

Rehn vincou a opinião de Bruxelas sobre o tema: "Uma linha de crédito cautelar como a do Fundo Monetário Internacional é, geralmente, uma melhor forma de sair do resgate, para que haja um instrumento a que recorrer se a situação piorar. Normalmente, não é preciso ser usado porque os mercados sabem que ela existe".

Hoje, Marques Guedes referiu que o Governo está totalmente no vazio sobre qual o cenário preferencial. "Se isso vai acontecer ou não, não há nenhum dado que nos permita dizer qual vai ser a solução".

Guedes explicou ainda o calendário que o Executivo enfrentará nas próximas semanas. O Governo tem de entregar dois documentos à troika. Um "com as medidas para 2015 que fecharão o exame regular, até dia 15 deste mês", sendo que terá de haver novo conselho de ministros extraordinário antes desse dia".

Depois até ao final de abril terá de fechar o Documento de Estratégia Orçamental (DEO, que conterá as medidas para 2015, e de 2016 a 2018.

Por fim, "até dia 5 de maio o governo tomará posição em relação à forma de saída do programa". Será até esse dia por "há um Eurogrupo no início de maio, nesse dia penso eu, e será nesse Eurogrupo, o último antes do final do programa", que será colocada a opção do governo. "Foi assim com a Irlanda", relembrou Guedes.

Independentemente do 'dilema' que ainda possa existir dentro do Governo, a verdade é o Tesouro já tem mais de 17 mil milhões de euros em depósitos que, segundo diz a ministra, cobrem as necessidades de financiamento do país no pós-troika "durante um ano", "até à primavera de 2015", disse Maria Luís Albuquerque.

É um forte sinal de que o Executivo está a apostar numa saída sem linha de seguro, como fez a Irlanda, aproveitando o atual ciclo de descida das taxas de juro.

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