O que quer o FMI . As reformas antecipadas na função pública têm sido o "motor" . principal para a redução do número de trabalhadores da . administração pública. Mas o FMI não concorda com este mecanismo . e no relatório ontem divulgado defende que ninguém possa . reformar-se antes dos 65 anos. A partir de 2014, a saída para a . reforma deverá estar dependente da conjugação de uma carreira . contributiva de pelo menos 40 anos e de se ter já 65 anos, defende o . FMI, devendo esta limitação abranger função pública e os . desempregados de longa duração. . Entre as soluções preconizadas pelo FMI para reduzir a despesa . com pensões inclui-se a criação de um teto máximo no valor das . reformas equivalente a 12 IAS (5030 euros) e a aplicação do fator . de sustentabilidade (que faz depender o valor da pensão da esperança . média de vida) às reformas atribuídas entre 2000 e 2007. Com isto, . o Estado pouparia no mínimo 500 milhões de euros. O FMI considera . que o sistema de pensões dos funcionários públicos é demasiado . generoso e por isso preconiza um corte de 20% no valor das atuais . reformas da CGA. . Além disto, é proposto que a idade legal da reforma suba de 65 . para 66 anos para todos (o que daria uma poupança de 400 a 600 . milhões/ano) e que os regimes especiais da função pública (que . permitem a reforma mais cedo) sejam extintos. O FMI quer ainda uma . harmonização nas regras de cálculo para aposentação, incluindo . para os funcionários públicos que foram admitidos até 1993. . A manutenção das atuais medidas de austeridade junto dos . reformados é outro cenário possível, mas o FMI considera-o menos . vantajoso porque não corta nos direitos adquiridos, como entende que . deve ser feito, e não acaba com as diferenças entre o regime geral . da Segurança Social e o da CGA. Neste capítulo propõe-se um corte . transversal de 15% a todas as reformas acima da pensão mínima e a . eliminação dos subsídios de férias e de Natal nos anos em que a . economia cresça menos de 3%. As medidas geram uma poupança de 2000 . milhões de euros, na versão conservadora. . Como é a situação atualNos últimos anos foram tomadas várias medidas para travar a . subida dos gastos com pensões. Algumas são estruturais e o seu . efeito será sentido mais a longo prazo. É o caso da proibição, . desde abril de 2012, das reformas antecipadas no regime geral da . Segurança Social (ficando estas apenas acessíveis aos desempregados . com mais de 52 anos), ou da aplicação de um fator de . sustentabilidade às pensões atribuídas a partir de 2008. . Estrutural foi também o processo de convergência da idade da . reforma na CGA com o da Segurança Social. Esta subida (para os 65 . anos de idade e 40 de carreira contributiva) deveria ficar concluída . em 2015, mas o Governo antecipou-a para 2013. O ritmo da convergência . nos regimes especiais também foi acelerado, pelo que militares, . forças de segurança e juízes têm de ter 60 anos para poderem . reformar-se sem penalizações a partir de 2013. . Ao mesmo tempo, cortou-se nos subsídios dos reformados e criou-se . uma contribuição extraordinária de solidariedade. . Reação do sectorCarlos Pereira da Silva não tem dúvidas de que o sistema de . pensões deveria ser mudado - já o defende desde finais da década . de 90 -, mas resta saber se as soluções agora propostas pelo FMI . serão as mais acertadas. "O sistema de pensões é um problema . de duas gerações, e em cada momento se deveria saber qual o peso da . despesa e a receita que está a entrar no sistema." E perante . eventuais desequilíbrios deverá decidir-se se as mudanças devem . apontar apenas para os novos reformados ou incluir também os que já . estão na reforma, "como os suecos fizeram", diz. O FMI . refere que o sistema de pensões da CGA é mais generoso do que o da . Segurança Social, mas Carlos Pereira da Silva assinala que essa . diferença se deve também ao facto de na Segurança Social ser . possível ter uma reforma com apenas 15 anos de descontos, enquanto . na função pública o mínimo eram 36 anos.