Como está a saúde mental de pessoas brasileiras que vivem em Portugal? Como está a resiliência e quais redes de apoio elas possuem? Estes são alguns dos objetivos da psicóloga Paula Gonçalves, que investiga o tema em sua dissertação de mestrado. Para isso, ela está em busca de imigrantes que possam responder ao questionário que fará parte da pesquisa.Em entrevista ao DN Brasil, a profissional explica que sabe como é o processo de mudança e adaptação. “Vivi parte da infância em Angola e voltei a Portugal em fevereiro de 1974, um período marcado por profundas mudanças sociais e políticas. A adaptação não foi fácil: senti dificuldades no contato com as pessoas, no clima e nas diferenças culturais. Como aconteceu com muitos portugueses na época, vivi experiências de discriminação, sendo muitas vezes apelidada de ‘retornada’, um termo que, pelo menos para mim, tinha uma conotação claramente depreciativa”, relata Paula, de 58 anos.Na visão da pesquisadora, a população imigrante em Portugal enfrenta grandes desafios. “Portugal é simultaneamente um país de emigrantes e de imigrantes e, à semelhança de outros países europeus, ainda enfrenta desafios importantes na forma como acolhe e integra essas populações. A migração não suspende a vida: problemas de saúde, dificuldades financeiras e desafios familiares e emocionais continuam a acontecer”, afirma.Paula também ressalta que há falta de dados específicos em Portugal sobre a população imigrante. “Continua a existir uma escassez de dados sistemáticos sobre o bem-estar mental dessas populações e sobre os fatores que favorecem uma adaptação psicológica saudável ao longo do tempo”, destaca. Ao mesmo tempo, pontua que “estudos como este são importantes porque permitem ir além de uma visão centrada apenas nos riscos ou nas dificuldades associadas à migração, contribuindo para uma compreensão mais completa e realista da experiência migratória”.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsAppOutro objetivo da pesquisa é mostrar que os imigrantes “são muito mais do que o contexto em que se inserem”, por mais que rótulos sejam constantemente atribuídos. “Além das dificuldades, trazem consigo valor, experiências e contribuições que enriquecem a sociedade que os acolhe. Reconhecer esses recursos permite ultrapassar uma visão reducionista da imigração e promover uma perspectiva mais humana e inclusiva, baseada na aprendizagem mútua e no crescimento coletivo”, reflete a psicóloga.A partir das respostas, a profissional vai analisar “as diferenças nos níveis de bem-estar mental de adultos imigrantes brasileiros residentes em Portugal, quando expostos a desafios semelhantes”, além de “analisar de que forma os estilos de apego se relacionam com o bem-estar mental e qual o papel da resiliência e do suporte social percebido nesse processo”.A mestranda espera “que os resultados obtidos possam servir de base para políticas públicas, intervenções comunitárias e práticas clínicas mais sensíveis à diversidade cultural e às necessidades reais das pessoas, favorecendo respostas sociais mais eficazes e humanizadas”.A pesquisadora está particularmente interessada em respostas de pessoas que vivem no Porto, Coimbra e Braga, para obter uma amostra territorialmente mais diversificada. Para responder às perguntas, basta clicar aqui. É necessário ter 19 anos ou mais e viver em Portugal há mais de dois anos. O link do questionário está aqui.amanda.lima@dn.pt.O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Psicóloga chama atenção para cuidado com a saúde mental dos imigrantes, em especial nesta época.Burocracia, xenofobia e mudanças nas leis motivam saída de estrangeiros do país