‘Startup’ de IA Manus retoma operações autónomas após veto chinês a venda à Meta
Lionel BONAVENTURE / AFP

‘Startup’ de IA Manus retoma operações autónomas após veto chinês a venda à Meta

Empresa afirma que, como parte do processo de retoma da operação autónoma, irá eliminar alguns dados dos utilizadores para cumprir os requisitos regulamentares em determinadas jurisdições.
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A Manus anunciou que vai retomar as operações como empresa independente, quatro meses depois de a China ter bloqueado a aquisição da 'startup' de inteligência artificial (IA) pela tecnológica norte-americana Meta.

Numa mensagem aos utilizadores, a Manus afirmou que, como parte do processo de retoma da operação autónoma, irá eliminar alguns dados dos utilizadores para cumprir os requisitos regulamentares em determinadas jurisdições.

O aviso, citado pela publicação chinesa de negócios Yicai na terça-feira, especifica que os dados gerados por determinados utilizadores desde 29 de dezembro de 2025 serão eliminados entre 23 e 24 de agosto.

A missiva instava os utilizadores afetados a fazerem cópias de segurança dos dados antes de 23 de agosto.

A Meta tinha anunciado em dezembro a aquisição, por dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros), da Manus, uma empresa de inteligência artificial com raízes chinesas mas sediada em Singapura, num movimento pouco comum de uma grande tecnológica dos Estados Unidos sobre uma empresa ligada à China.

A Manus desenvolve agentes de inteligência artificial de uso geral, capazes de executar tarefas complexas de forma autónoma, e a operação visava reforçar a oferta de IA da Meta nas suas plataformas.

Mas em abril a China bloqueou o negócio, invocando regras de segurança sobre investimento estrangeiro.

Numa nota breve, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma chinesa indicou que proibiu a operação e exigiu às partes envolvidas que abandonassem o negócio, sem mencionar diretamente a Meta, dona do Facebook e do Instagram.

A decisão foi tomada pelo mecanismo de revisão de segurança do investimento estrangeiro, ao abrigo da legislação chinesa, após as autoridades terem anunciado no início do ano que estavam a analisar o caso.

A empresa norte-americana tinha garantido que não haveria participação chinesa remanescente na Manus e que esta cessaria operações na China.

Ainda assim, o ministério do Comércio chinês alertou, em janeiro, que operações envolvendo investimento externo, exportação de tecnologia, transferência de dados e aquisições transfronteiriças devem cumprir a legislação nacional.

Em 01 de julho, a China implementou uma nova regulamentação que reforça o controlo sobre os investimentos no estrangeiro e sobre a transferência de tecnologia para outros países.

Embora o texto reconheça aos investidores o “direito de tomar decisões independentes e assumir os seus próprios riscos”, também os adverte para a necessidade de “não colocar em perigo a segurança nacional da China nem prejudicar os interesses nacionais”.

Um dos pontos centrais da nova regulamentação é a proibição da transferência indireta de tecnologia ou dados para o exterior através do envio de pessoal técnico para outros países, bem como por meio de assistência técnica ou programas de formação transfronteiriços.

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