O presidente do Conselho de Administração da VASP afirmou esta terça-feira, 20 de janeiro, que a empresa está na iminência de cortar rotas, referindo que não é viável distribuir jornais no interior do país.Marco Galinha falava na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, no âmbito de uma audição da administração da VASP, a requerimento do grupo parlamentar do Chega sobre a anunciada suspensão este mês da distribuição de imprensa em oito distritos do interior do país.A VASP "está na iminência de cortar rotas", afirmou Marco Galinha, que referiu que a empresa de distribuição está ao lado dos editores.Agora, a empresa não consegue suportar resultados negativos recorrentes no interior do país."Estamos preocupados com as pessoas no interior", prosseguiu o gestor, referindo que "não é viável distribuir jornais no interior do país".Por sua vez, o administrador da VASP Rui Moura sublinhou que a empresa "sempre falou com todos os grupos parlamentares" e reuniu-se há 10 dias com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP).Rui Moura salientou que os custos têm sido absorvidos pela VASP e sublinhou que "desde 2019" que não é viável distribuir jornais no interior do país.Marco Galinha lamentou a "insensibilidade" que existe para a atual situação e sublinhou que a VASP é "um monopólio natural" porque todos os concorrentes faliram."Se vier outra empresa duplica os custos e torna mais inviável a operação", salientou.Marco Galinha referiu ainda que "proibiram a VASP de falar com o gabinete" do ministro da tutela, Leitão Amaro, sem detalhar.Recordou que ficou "muito satisfeito" quando o Governo, em outubro de 2024, anunciou o Plano de Ação para a Comunicação Social (PACS), "medidas que de facto são fundamentais para o direto das pessoas comprarem jornais".O responsável disse ter feito "várias reuniões", nomeadamente com o ministro da tutela da altura, Pedro Duarte, que disse que lançava o concurso para a distribuição em sete semanas.Acrescentou que o secretário de Estado Abreu Amorim estava "preocupado" com o projeto e que "deixou tudo feito". Mas, "aconteceu o que é típico em Portugal: o Governo caiu e as coisas voltaram à estaca zero", lamentou.Enalteceu o currículo de António Leitão Amaro, mas disse não saber o que se passou. "Alguma coisa se passou", reforçou.Marco Galinha referiu que a subida do salário mínimo, que tem um impacto de quase um milhão de euros por ano na VASP, e o fim do grupo Trust in News (TiN) são dois fatores que afetam o negócio."A distribuição de imprensa não é venda de pão", sublinhou Rui Moura, em resposta aos deputados, referindo a complexidade da distribuição de jornais.Marco Galinha referiu ainda que a distribuição "é um negócio que está a sofrer uma transformação" e que a inteligência artificial (IA) não é tudo, em resposta aos deputados. A VASP é detida pelo grupo BEL, que é também acionista do DN."Não recebemos" do Governo informação sobre solução para distribuiçãoPaulo Ribeiro, vice-presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, considerou, na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, que o digital não substitui o papel e que a entidade ainda não recebeu qualquer informação sobre como o Governo vai resolver o problema da distribuição dos jornais.Na sua intervenção, o responsável considerou "fundamental" para a coesão territorial levar a imprensa a territórios de baixa densidade.O digital "não substitui o papel", prosseguiu, referindo o papel da associação na capacitação dos editores para que possam fazer essa transformação."A questão está no modelo de negócio e a proliferação gratuita" das publicações, apontou Paulo Ribeiro.Questionado sobre o Livre se receberam alguma informação do Governo sobre a questão da distribuição, o responsável da Associação Portuguesa de Imprensa disse que não."Não recebemos ainda do Governo qualquer informação respeitante de como vai resolver o problema da distribuição" e "os CTT não resolvem o problema da distribuição", sublinhou."Temos vindo aqui a alertar que o modelo de distribuição dos correios" tem tido impacto no setor e que o serviço postal universal (SPU) "não está a ser assegurado, o que leva à deterioração do negócio e perda de assinantes" por não receberem a horas.Paulo Ribeiro sublinhou que a entidade tem falado com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e que "existe abertura" para chegar a uma solução para a questão da distribuição, mas que está a aguardar a decisão do Governo.Em resposta ao Chega sobre o Plano de Ação para a Comunicação Social (PACS), o responsável destacou uma medida "bem feita", e que foi logo aplicada, que é o aumento do porte pago."Relativamente às outras medidas, continuamos a aguardar, pese embora as nossas diligências" para saber o ponto de situação, prosseguiu.Aliás, a entidade pediu uma reunião com o ministro da tutela, mas ainda não obteve resposta."Há uma medida importante" que não foi tomada que é dos jornais e revistas estarem no Plano Nacional de Leitura, apontou.Se tal entrasse nas escolas, seria uma outra forma de começar a haver um novo consumo de imprensa, considerou.A Associação Portuguesa de Imprensa defende que todos os apoios "devem fazer feitos por via indireta".Com a nova direção da ANMP, a associação espera que a publicidade institucional seja publicada nos media locais e regionais.Questionado pelo PSD, Paulo Ribeiro afirmou: "Não temos conhecimentos da propsosta que o Governo apresentou" à ANMP.Aliás, "tivemos uma reunião na semana passada e aquilo que nos foi dito é que estão interessados em encontrar uma solução, mas que aguardavam a proposta do Governo para analisar", pelo que desconhecemos" essa proposta..“Para algumas autarquias interessa que não haja distribuição de jornais".Uma solução para a distribuição de jornais no interior