Lucro da Air France-KLM cai 26% para 775 milhões devido ao preço do petróleo

Lucro da Air France-KLM cai 26% para 775 milhões devido ao preço do petróleo

Apesar do aumento da fatura energética, o volume de negócios do grupo atingiu os 26,7 mil milhões de euros entre janeiro e setembro, traduzindo um crescimento de 7,5%.
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A escalada do preço do petróleo travou a rentabilidade da Air France-KLM nos primeiros nove meses do ano. O conglomerado de aviação comercial encerrou o período com um resultado líquido de 775 milhões de euros, o que representa uma contração de 26% face ao desempenho registado em termos homólogos, anunciou a empresa em comunicado.

Apesar da pressão financeira exercida pelos custos de energia, a procura por viagens manteve-se sólida. O volume de negócios do grupo atingiu os 26,7 mil milhões de euros entre janeiro e setembro, traduzindo um crescimento de 7,5%. Em termos operacionais, o resultado líquido ajustado fixou-se nos 1,8 mil milhões de euros, um acréscimo de 173 milhões de euros em comparação com o exercício anterior.

Durante este período, a transportadora aérea contabilizou 80,3 milhões de passageiros — um avanço de 2,7% —, enquanto o tráfego global das companhias que integram o grupo progrediu 2,5%. A taxa de ocupação das aeronaves subiu para os 87,5%, superando em 0,1 pontos percentuais o registo do mesmo intervalo do ano transato.

A análise isolada do terceiro trimestre — época tradicionalmente de forte actividade no sector da aviação — reflete de forma vincada a subida do crude no mercado internacional. Apenas entre julho e setembro, o encargo adicional com o combustível custou 436 milhões de euros às contas do grupo, salienta a companhia.

Ainda assim, as receitas do trimestre de verão subiram 7,6%, totalizando 9,9 mil milhões de euros, impulsionadas pelo transporte de 29,712 milhões de passageiros (+1,8%) e por uma subida de 0,9% no tráfego total. O resultado operacional ajustado dos três meses em causa situou-se nos 1,3 mil milhões, o que representa uma melhoria de 126 milhões de euros.

Perante o contexto de volatilidade nos mercados energéticos, a administração da Air France-KLM revê em alta as projeções globais para a fatura de combustível deste ano. A empresa prevê agora que os encargos com abastecimento venham a somar 9,2 mil milhões de dólares (aproximadamente 8,2 mil milhões de euros ao câmbio actual), uma revisão em alta face à estimativa anterior de 8,9 mil milhões de dólares.

Empresa neerlandesa do grupo anuncia reestruturação que afeta 5.000 postos de trabalho

A companhia aérea neerlandesa KLM, empresa do universo Air France-KLM, anunciou uma reestruturação que afetará cerca de 5.000 postos de trabalho e reduzirá o quadro de pessoal em cerca de 15%, no âmbito de um plano para reduzir custos.

“A continuidade da KLM não está garantida”, alertou a presidente executiva (CEO), Marjan Rintel, aquando da apresentação dos resultados financeiros no terceiro trimestre. 

Marjan Rintel salientou que o aumento do preço do combustível, a instabilidade internacional e os elevados custos operacionais obrigam a tomar decisões “drásticas e, por vezes, dolorosas”.

A responsável reconheceu que as mudanças afetarão trabalhadores que “passaram toda a vida” na empresa, mas defendeu que “não fazer nada teria consequências muito mais dolorosas, tanto para o emprego como para a ligação” dos Países Baixos com o mundo.

A KLM espera que as mudanças possam ser implementadas através de reformas, saídas voluntárias e reafetações dentro da empresa.

A empresa explicou que 1.250 postos de trabalho do serviço de ‘catering’ já são geridos em colaboração com a empresa Gategroup, enquanto outros 800 postos de trabalho nos serviços de terra passarão para empresas externas.

Além disso, irá transferir 2.000 postos de trabalho para o grupo Air France-KLM, ao qual pertence, e prevê reduzir outros 1.000 através de alterações na organização do trabalho.

A reestruturação prevê também alterações nas condições laborais, uma maior colaboração com outras empresas e um aumento da produtividade de, pelo menos, 8% até 2028, acompanhado de aumentos salariais moderados.

O anúncio surge apesar de a KLM ter melhorado os resultados no terceiro trimestre do ano, com um lucro operacional de 458 milhões de euros, mais 106 milhões do que no mesmo período do ano anterior, o que se explica por “maiores receitas com a venda de bilhetes e pela redução de custos”.

Ainda assim, a companhia considera que estes resultados continuam a ser insuficientes para fazer face aos custos e financiar os investimentos necessários, sendo que o objetivo é aumentar o resultado operacional anual para um valor entre 1.000 e 1.400 milhões de euros.

Entre as medidas anunciadas figura também a renovação da frota europeia, com mais aviões de pequeno porte para melhor adaptar os voos à procura e a retirada progressiva dos Boeing 737 e dos Embraer E190.

A KLM, que opera voos diretos para 160 destinos a partir do aeroporto de Schiphol, em Amesterdão, pretende também simplificar a organização e reforçar a posição no seio do grupo Air France-KLM.

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